segunda-feira, 20 de março de 2017

Palestra do Juiz Sérgio Moro em Maringá


A operação Lava Jato teve início em 17 de março de 2014. E no terceiro aniversário da operação, 17 de março de 2017, foi realizada em Maringá pela APAE Maringá, Rotary Club Maringá Aeroporto e ACIM – Associação Comercial e Industrial de Maringá, a palestra “Fortalecendo a Regra da Lei no Brasil” com o Juiz Federal maringaense Sérgio Moro.

A palestra teve como objetivo arrecadar fundos para a APAE Maringá, que irá implementar projeto de painel solar que trará economia de mais de R$ 10 mil por mês à instituição. O juiz Sérgio Moro não cobrou cachê.

Na primeira parte da palestra, o juiz faz um histórico da Operação Lava Jato e na segunda parte reflexões à respeito do enfrentamento da Corrupção Sistêmica no Brasil.



A Operação Lava Jato

A operação Lava Jato é composta por diversas ações penais e se iniciou com uma investigação da Polícia Federal de crime de lavagem de dinheiro por 4 indivíduos e se limitava a operações no mercado negro de câmbio. A PF descobriu que um destes indivíduos tinha uma conexão relevante com ex-diretor da Petrobrás tendo adquirido para ele um carro de luxo.

As primeiras buscas, apreensões e prisões foram iniciadas em 17 de março de 2014 e com isso foram descobertos novos fatos. O lavador controlava diversas contas locais e internacionais em nome de empresas de fachada com depósitos milionários de grandes empreiteiras nacionais. Foram encontradas posteriormente planilhas de pagamentos que sugeriam que partes dos recursos tinham origem em obras superfaturadas da Petrobrás.

Com todas estas provas foram decretadas prisões e na segunda metade de 2014 ambos decidiram colaborar com a Justiça, ampliando a dimensão da operação. Dentre as diversas revelações, estava o fato de que em todo grande contrato com a Petrobras havia uma taxa de propina de 1 a 2% do valor, ficando metade do valor com a “casa”, ou seja, com os agentes da Petrobras e o lavador, e a outra metade com agentes políticos que sustentavam os diretores em seus cargos ou com financiamento criminoso de campanhas eleitores. Em resumo, a propina da Petrobrás era dividida entre agentes da Petrobrás e agentes políticos.

Vale ressaltar que os contratos da Petrobrás eram da ordem de centenas de milhões de reais ou de dólares chegando até à casa de bilhão de reais ou de bilhão de dólares. Além disso, foi revelado que havia diversos outros diretores envolvidos na mesma prática.

O que foi identificado desde então foi um quadro de Corrupção Sistêmica, ou seja, não a corrupção como um ato isolado, que acontece eventualmente em todo o mundo, mas a corrupção como um sistema, ou seja, como “A Regra do Jogo”, o que não é algo tão comum. Prova disso era a própria existência de tabelas com percentuais fixos pré-estabelecidos de propina, que valia para quase todos os contratos com determinadas empresas.

Foram também encontradas diversas contas no exterior com saldos incompatíveis com a renda dos agentes da Petrobrás, que tem grandes salários. Outros agentes que não eram diretores também foram identificados, devolvendo um gerente sozinho US$ 98 milhões encontrados em uma conta irregular no exterior.

Vale ressaltar que dois dos investigados também estavam envolvidos no processo do Mensalão, mostrando uma característica própria da Corrupção Sistêmica de que uma investigação não tolhe os indivíduos de receberem propinas em outros esquemas criminosos, ou seja, a corrupção é serial com vários crimes de corrupção em esquemas variados e continua mesmo com alguns destes esquemas sendo descobertos e interrompidos.

Outra evidência da Corrupção Sistêmica foi o senador que, sendo relator da CPI da Petrobrás, cobrou propina das empresas que seriam interrogadas ao invés de cumprir o seu papel na comissão.

Em 2015, a Petrobrás reconheceu perdas contábeis de R$ 6 bilhões devido exclusivamente ao pagamento de propina porém este valor não representa os problemas de ineficiência e de decisões de investimentos orientadas não para a empresa mas para geração de recursos para pagamento de propina. A Usina Abreu e Lima, por exemplo, orçada inicialmente na ordem de US$ 3,5 bilhões em 2008 em 2014 já tinha custos acumulados da obra em andamento em US$ 18 bilhões. Além disso, empregados relataram que a usina não se pagaria mesmo operando em eficiência máxima em toda a sua vida útil.

A Parte Bela da História

A Corrupção Sistêmica traz diversos custos econômicos, como a redução da competitividade, a ineficiência na gestão pública e a confiança e atração de investidores. Mas para Moro, o principal problema é que a Corrupção Sistêmica impacta a confiança de cada cidadão no império da Lei e no regimento democrático. A Democracia pressupõe um governo de leis e que as pessoas sigam a regra do jogo estabelecida por leis aprovadas democraticamente. Mas quando existe quadro de Corrupção Sistêmica e impunidade, as pessoas passam a desacreditar na força de lei e achar que vale a pena violar a lei e que este é o comportamento normal. Isto afeta a imagem do país no exterior e a autoestima do seu povo.

Mas a parte bela da história, para Moro, é que o Brasil está tomando passos sérios e firmes no enfrentamento do quadro de Corrupção Sistêmica, o que deve ser motivo de orgulho para os agentes públicos e para toda a democracia brasileira.


Justiça Criminal Eficiente

O primeiro requisito para eliminar a Corrupção Sistêmica é um Sistema de Justiça Criminal eficiente. Esse sistema tem que funcionar, não pode ser um faz de conta: o inocente deve ir para casa e o culpado deve ir para a prisão, observado o devido processo legal. No passado, escândalos criminais não seguiam esse resultado mesmo com provas categóricas. Corrupção Sistêmica e impunidade caminham juntos.

No entanto, a Corrupção Sistêmica não é problema exclusivo de juízes, delegados e promotores e não se resolve apenas com a Justiça Criminal, que é limitada. Estes crimes são difíceis de serem descobertos. Uma vez descobertos difíceis de serem provados com o nível necessário e depois, mesmo provados, por vez o sistema é falho por outros motivos e o processo não resulta em uma sanção penal.

Por isso, é necessário enfrentar a Corrupção Sistêmica com outras medidas e para tanto Governo e Congresso tem responsabilidade fundamental, por exemplo, aprovando leis que tornem o processo criminal mais eficiente, que eliminem oportunidades para a prática do crime de corrupção e que habilitem que governados acompanhem as ações de seus governantes com transparência.

Lamentavelmente, o enfrentamento da Corrupção Sistêmica tem acontecido até o momento muito mais pela Justiça Criminal do que pelo Governo e pelo Congresso que, por sua vez, tem até atuando no sentido contrário, como a tentativa de anistia ao Caixa 2.

A Grande Contribuição do Setor Privado

O setor privado tem muito a contribuir e deve lutar por um ambiente limpo para os seus negócios. A corrupção envolve quem paga e quem recebe e ambos são culpados. Por vezes, empresários podem ser vítimas de extorsão e não cúmplices porém nos casos julgados na Lava Jato todos os empresários eram cúmplices e não vítimas de extorsão.

O setor privado tem muito a contribuir simplesmente dizendo não a propina. Outra medida para médias e grandes empresas é o desenvolvimento de sistemas de compliance para que sua empresa não sirva como ambiente propício para o desenvolvimento da Corrupção Sistêmica.
Na Itália, empresários sofriam extorsão da máfia, principalmente na Sicília, pagando a suposta taxa de proteção chamada de “Pizzo”. Para combater as extorsões as associações empresariais italianas se uniram com o mote “Addio Pizzo”, ou “Adeus Pizzo”, para não pagar o “Pizzo” realizando denúncias coletivas sob o conceito de que um povo que paga o “Pizzo” é um povo sem dignidade. A exemplo dessa ação na Itália, dentro das associações empresariais no Brasil pode ser adotada a política deliberada e associativa de dizer não ao pagamento de propina.

E é importante que haja ação coletiva para que empresas que resolvam adotar comportamento desviante recebam censura não apenas por parte do poder público mas também por outras empresas, pois a empresa que resolve trapacear prejudica o poder público e prejudica o mercado, ao ganhar posições de proeminência dentro do mercado.

“Nunca se esqueçam do potencial que o empresário que diz não ao pagamento de propina tem em relação ao enfrentamento da Corrupção Sistêmica”. Um exemplo é o Banco Itaú que ao invés de pagar propina denunciou o agente do CARF que foi levado a prisão. A Operação Mãos Limpas na Itália se iniciou com a prisão de um agente público denunciado por um empresário que estava sendo vítima de extorsão para pagamento de propina.

Opinião Pública e Cidadania Mobilizada

Também tem papel importante a Cidadania Mobilizada e a Opinião Pública. Na Lava Jato, foi posição do juízo que todas as provas, julgamentos e decisões judiciais seriam públicas assim como toda a atuação do Judiciário. As pessoas têm o direito de saber sobre os crimes praticados pelos seus governantes e o Judiciário não pode ser guardião de segredos sombrios de agentes públicos. É o controle dos governantes pelos governados e da própria Justiça pelos cidadãos em geral.

A dimensão dos fatos levou, assim, a uma opinião pública quase totalmente favorável às investigações, o que ajudou a evitar a obstrução de justiça. O juiz não pode seguir a opinião pública mas em processos envolvendo pessoas política e economicamente poderosas a opinião pública funciona como proteção frente à atuação dessas pessoas com o fim de obstruir as investigações.

A opinião pública também mobiliza a cidadania para que reclamem ações de seus governantes no enfrentamento à Corrupção Sistêmica. Por isso, Moro identifica tudo o que foi feito como uma conquista não só de juízes, pessoas ou de instituições mas sim de toda a democracia brasileira. Afinal, milhões de brasileiros saíram às ruas pedindo repúdio à corrupção e apoio às investigações.

Futuro

Instituições fortes e o império da Lei, ou seja, a Lei valer para todos, é algo que se constrói no cotidiano. Não há liderança messiânica capaz que vai resolver os problemas de país. O que existe é uma ação que tem que ser realizada e renovada no dia a dia para construir instituições mais fortes e eliminar a cultura da corrupção entre nós.

Não que a corrupção seja o único problema brasileiro, mas o fato é que a Corrupção Sistêmica impacta boas chances no desenvolvimento das questões econômicas, das liberdades individuais, da igualdade de oportunidades, e o seu enfrentamento certamente irá facilitar a resolução dos outros problemas.

Nos eventos internacionais, chama a atenção de Moro que os comentários não eram de criticar o Brasil por conta do quadro de Corrupção Sistêmica mas sim elogiar o país pelos passos sérios e importantes que o Brasil estava tomando no enfrentamento da Corrupção Sistêmica, sendo referência para outros países latino-americanos vizinhos. A situação do Brasil não é motivo de vergonha mas sim de orgulho e fato é que o Brasil está realizando passos sérios e importantes no enfrentamento da Corrupção Sistêmica.

Nós somos ricos em nossas diferenças mas também somos ricos naquilo que nos une e identifica como povo brasileiro. Como povo brasileiro, reestabelecemos na década de 70 o regime democrático em toda a sua plenitude, superamos na década de 90 o quadro de hiperinflação, vista como algo natural e até impossível de ser solucionada, e mais recentemente demos passos importantes no enfrentamento da pobreza extrema. São todas conquistas da democracia brasileira e não de governantes individuais. Da mesma forma, nós podemos superar o quadro de Corrupção Sistêmica e esta também será uma conquista da democracia brasileira.

Trechos da Palestra
Portal G1
CBN Maringá

sábado, 9 de junho de 2012

Mais Tempo para Empreendedores



 
Palestra Endeavor: Empreendedor Produtivo from Equipe Neotriad on Vimeo.


Depois de muito tempo, posto aqui anotações sobre a palestra do Christian Barbosa, especialista em administração de tempo, realizada pela Endeavor. A palestra é aberta e pode ser assistida a qualquer momento online nesse link. Sobre gestão de tempo, Christian Barbosa comenta: "Não acreditem, experimentem e vejam os resultados". Para mais informações, Christian indica o portal Você com Mais Tempo, Triad Consulting e Neotriad.


PERGUNTAS DE REFLEXÃO

1. Você é empreendedor ou escravo da sua empresa?
Muitos empreendedores, ao serem questionados pela família, respondem: "preciso me dedicar à empresa para quando ela crescer eu ter dinheiro e poder me dedicar a vocês". Às vezes o empreendedor trabalha na empresa e não consegue sair, deixando de ser empreendedor para ser escravo.

2. Você está tendo resultados consistentes ou stress consistente?
Muito trabalham demais e não tem resultado, podendo empregar seu tempo em outra atividade gerando mais resultado. 

3. Você vive, ou sua empresa existe, para realizar seus maiores sonhos?
Mais importante do que gerenciar o tempo é dar sentido ao seu tempo. Quando estiver no fim da sua vida, poderá dizer que ela valeu a pena?

Segundo Christian, hoje virou chique virar estressado. As pessoas associam estresse com trabalho. Quando alguém pergunta se está tudo bem e se está corrido e o outro responde "Não, hoje estou tranquilo", logo perguntam "quebrou? perdeu o emprego? tá de férias?". Não precisa ser assim. Stress não precisa ser igual a trabalho.

EMPREENDEDOR PRODUTIVO

1. Foca no importante. Tem clareza e foca no importante mais do que ninguém.

2. Trabalha o suficiente.  A ideia de que trabalhar demais é necessário não é verdade, deve-se trabalhar o suficiente para conseguir o resultado. O 1º e o 2º anos de um empreendimento realmente exigem mais, mas  essa exigência é apenas por um período.

3. Foca no Ciclo de Prosperidade. Mais tempo permite trabalhar mais o relacionamento para obter contatos ou cursos, logo conhecendo melhores oportunidades de negócios que resultam em mais dinheiro e, assim, mais tempo. Esse é o ciclo da prosperidade: tempo - contatos/cursos - negócios - dinheiro - tempo. Isso permite lidar com questões estratégicas do empreendimento em vez de ficar apenas no operacional. Uma vez no ciclo da prosperidade, é muito difícil cair.

4. Tempo para empreendeder e tempo para viver. Dedicar tempo à qualidade de vida, o que ajuda a ter mais energia. A primeira pessoa a quem você deve se dedicar é você mesmo. Você se torna melhor, tem mais energia, mais disposição. Quando não se tem tempo, o primeiro a sair da agenda é você.

5. Para com atividades sem resultado. O empreendedor produtivo deve encontrar pessoas que façam acontecer e entende que ele não precisa fazer tudo sozinho. Faça uma lista de "stops", do que parar de fazer para não perder o foco.

COMO TER MAIS TEMPO?


1. Mindset. Mindset é um modelo mental, a forma como o cérebro reage às demandas, trata da execução e formas de usar o tempo. Foi criado na cultura latina uma cultura da última hora, da urgência. Temos que mudar essa cultura para a cultura da antecipação. Se a atividade é para sexta, quarta já deve estar pronto, com no mínimo 2 dias de antecipação. Isso nos deixa relaxados e com disposição para inovar. O exemplo dos pais também tem criado os "urgentinhos". O pai o faz, por exemplo, quando o filho precisa levar um livro à escola e o pai deixa para comprar só na véspera.

2. Classificar o Tempo

3. Método. Um método deve espontâneo, flexível e útil. A vida funciona porque tem um conjunto de métodos. Assim como existe um método para dirigir, deve existir um método para gerenciar o tempo.

4. Ferramenta. A ferramenta é essencial, pode ser um caderno, um software ou o Outlook.

5. Persistência. O  novo mindset começa a ser incorporado a partir da 5ª semana e a partir da 7ª começa a dar resultado no dia a dia. Não basta acreditar, é preciso experimentar e praticar de forma consistente.

TEMPO É UMA TRÍADE COM TRÊS ESFERAS

Importante
Tem a ver com prazo, resultados e prazer.  São atividades que tem tempo para serem realizadas, trazem resultados e dão prazer durante a execução, e que vão ajudar você a evoluir nas suas metas, que agregam valor e que você gosta.

Urgente
Mandatório, necessário, imediato. Atividades em que o tempo está esgotado, traz resultado mas traz stress e pressão juntos. Muitos comentam sobre "apagar incêndios", mas o bombeiro não trabalha só com urgência. 30% do seu tempo do seu tempo é usado no combate ao incêndio enquanto 70% é gasto em educação, em prevenção. Boa parte das urgências são devido a erros de comunicação, falhas no processo, esquecimento ou procrastinação. É o importante se tornando urgente por negligência. No entanto, 77% das urgências de qualquer empresa poderiam ser reduzidas com planejamento, preparação e prevenção. As empresas se acostumaram a valorizar o urgente. Quem resolve a urgência é o heroi e todos querem ser o cara. Aquele que se planeja, não tem urgências e sai no horário é visto como vagabundo ou como alguém que não está vestindo a camisa da empresa. Dessa forma, inconscientemente valorizam o urgente, por isso todos são urgentes. Deve-se criar uma estratégia de valorização do importante e redução do urgente. Uma equipe urgente se torna reativa, cheia de pressão e estressada. 

Circunstancial
Desperdício total de tempo. Faz faz faz e não sai do lugar.

O QUE É IMPORTANTE PARA O EMPREENDEDOR?
  • Adminstrar seu próprio tempo para ter saúde, vida, energia, para não matar a equipe. Líderes urgentes geram equipes urgentes, sejam um CEO, um diretor ou um pai.
  • Fazer um Plano de Negócios. Não um plano chato no Word, mas um plano orientativo para você e sua equipe. Muitos se preocupam demais com o plano formal. Faça um plano anual com visão de 3 anos à frente, incluindo pontos de controle, para esclarecer direções, metas e o que é importante para a empresa.
  • Delegar com tempo. Delegue tarefas com prazo, para daqui 1 semana, por exemplo, aumentando o senso de importância com estratégias de produtividade.
  • Escrever seus objetivos
  • Reduzir o volume de reuniões
  • Gerenciar a si mesmo e controlar seu pior inimigo. O pior inimigo do seu tempo é você mesmo.
  • Fazer uma coisa de cada vez. Aqueles que alternam entre várias atividades, ou multitarefas, perdem tempo. 30 institutos comprovaram: nenhum ser humano é multitarefa, somos monotarefas. Existe uma mudança cerebral nos bebês, mas não na geração Y pra baixo. O multitarefa perde de 20% a 30% (ou 40%) do seu tempo com a perda de produtividade.
  • Controlar as vozes no seu cérebro. Quando você se lembra de algo que deve fazer acaba multitarefando. Para tirar as vozes lembrando de coisas que você deve fazer, use a "sessão de descarrego", descarregando ou anotando tudo em alguma ferramenta. Isso termina a urgência na hora. Depois de 7 semanas o cérebro está retreinado para não ficar lembrando e levando à multitarefa.
Identidade
Descobrir com clareza o que é importante, quais são as prioridades, definir as estratégias da equipe, identificar o que transforma a sua empresa em uma empresa única.

Metas
Existe uma grande diferença entre metas bem feitas e metas mal feitas, se a identidade não está clara as metas não ficam boas. Sem clareza, define-se metas demais que apenas são começadas mas nunca realizadas. O ideal seria ter apenas 1 meta, a mais estratégica da companhia, e dela obter submetas e indicadores visíveis. Um erro muito frequente é também elaborar um plano de ação com coisas grandes demais. Ninguém executa o que é grande demais. Planeje ações de no máximo 2 ou 3 horas.

Para aumentar a probabilidade de realização de uma meta, pergunte também:
  • 1. Você sabe claramente qual é o próximo passo?
  • 2. A equipe sabe claramente o que fazer para sair do lugar?
  • 3. A situação da meta é visualizada claramente?
  • 4. A meta da empresa está associada a alguma meta pessoal? Associe a meta da empresa à meta pessoal de cada um. Seja uma casa, uma viagem ou pagar uma dívida, ao perguntar sobre uma meta de vendas, por exemplo, pergunte sobre a viagem. Isso dá sentido e importância pessoal à meta da empresa.
Planejamento
Escreva e mensure. Use caderno, agenda ou quadro para anotar as tarefas. Mas use uma ferramenta única, ou, se for distribuída, que seja sincronizada. Não planeje o dia. Planejar o dia é tarde demais. Planeje a semana ou no mínimo 3 dias antes. Planeje com folga e flexibilidade. Se trabalha 10 horas, planeje 4 ou 5 horas no início. Toda atividade também tem que ter duração, para permitir avaliar se o tempo planejado deu certo. Fazer também o dia da estratégia 1 vez a cada 15 dias, para ver o negócio como um todo. Questione qual o próximo passo da empresa, o que fazer para atingir melhores resultados, que parceiros pode buscar nessa semana. Com a urgência, o empreendedor deixa de empreender e vira gerente.

Organização
Em média uma pessoa pode gastar até 40 minutos por dia localizando informações que já tem e não lembra onde guardou. É impossível ter gestão de tempo sem organização.

Execução
Definir prioridades explícitas. Qual a estratégia? Quais os objetivos? Quem ajuda de fato? A prioridade geralmente é do grito, ou seja, o cliente que grita mais alto é o que é atendido primeiro. A equipe deve ser totalmente capaz de definir o que é prioritário, usando uma matriz de prioridade, por exemplo, definida a partir da estratégia, com mais ou menos 4 critérios para decisões, como rentabilidade, lucro, inovação. Crie formas de recompensar o senso de importância e reduzir o senso de urgência. Premie horas extras não usadas. Crie as condições para que as pessoas possam ter vida, buscar seus filhos na escola, dê premiações como ingressos para cinema. Estimule isso nas pessoas.

O MAIS IMPORTANTE
O mais importante é o que muitas vezes está do seu lado e você não valoriza, os relacionamentos. O eu te amo, obrigado, desculpa, perdão. Quando você diz "você é importante" o outro acha estranho e pergunta "Está com mau pressentimento?". Só damos valor quando a gente perde.

Não é necessário perder a vida, a saude e a família para dar valor àquilo que a gente tem. O tempo é a única coisa que não volta na vida. O dinheiro volta, tudo volta, mas o tempo não. Não existe vida profissional e vida pessoal. Não tem como um não interferir no outro. É única a vida que você gerencia, integrada.

AS DUAS PERGUNTAS FINAIS
1. O que você vai fazer de IMPORTANTE pela sua vida este ano?
2. Qual seu maior SONHO? Que tal começar agora a vivê-lo?


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Palestra do Gustavo Cerbasi


Posto aqui as minhas anotações da palestra do Gustavo Cerbasi na UEL dia 10 de agosto. Para mais informações, acesse http://www.maisdinheiro.com.br. Na palestra Cerbasi diz que a ideia é fácil de entender mas poucos fazem e começa com o que ele diz ser a pergunta da sua vida:

Quem trabalha para você?

O capital gera o trabalho e os trabalhadores multiplicam o capital. Ou seja, quem tem capital contrata pessoas para multiplicar seu capital e quem não tem multiplica o capital dos outros. Mas nada impede que aqueles que não tem o capital trabalhem e poupem formando um capital que posteriormente outros trabalhadores multiplicarão. E uma ideia que Cerbasi coloca é que parar de trabalhar, nunca, ou seja, não é uma opção. Por isso é importante gostar do que faz. E ainda, nesse sentido, o negócio próprio é, portanto, a melhor carreira.

E quando se fala de futuro, Cerbasi gosta da frase de Peter Drucker - "prever o futuro é construi-lo". Existem 3 caraterísticas que os jovens tem em relação ao dinheiro. Primeiro, não ganham dinheiro, segundo, não tem, e terceiro, sabem gastar o que tem e gastam bem.

O método de Cerbasi é simples:

Gaste menos do que ganha e invista bem a diferença.

Gaste
Aprenda a gastar bem, gasto de qualidade, pois quem não gasta não enriquece. Lembre-se sempre: o futuro é a continuidade do presente. Não deixe só para o futuro, sacrificando o presente. Gaste com mais lazer, bem estar e qualidade de vida. Esses gastos lhe dão mais flexibilidade, mais manobra, e permite que você lide com os problemas mais fácil. Além disso, evite gastos fixos (aluguel, prestação) e tenha um orçamento variável, pois nessa etapa de vida podem haver muitas mudanças de planos.

Menos do que ganha
Tenha sempre a disciplina de economizar. Lembre, porém, que a poupança deve virar investimento. Deixar o dinheiro na poupança é simplesmente postergar o consumo pois poupança não gera rendimentos, apenas correção.

Invista Bem a Diferença
Investir bem a diferença requer inteligência. Cerbasi apresentou a teoria dos baldes para o orçamento doméstico, uma sugestão simples de uso do dinheiro.

O primeiro balde é o de GASTOS BÁSICOS. E nesse balde vale a qualidade de escolha. Em vez de tentar logo comprar casa e carro com prestações, invista em lazer. Foque no que você tem que ter e tem que fazer e em uma vida mais simples, tranquila, invista em felicidade.

O segundo balde é o de INVESTIMENTOS. Lembrando que o futuro é a continuidade do presente, pense no que você quer hoje. Pense em sustentabilidade e não em troca, ou seja, em continuidade e não ter menos hoje para ter mais amanhã. Em vez de poupar mais, seja adaptável, ou corre o risco de perder a saude para ter mais dinheiro.

E o terceiro balde é o de LUXO, com o que você quiser.

Cerbasi também diz: não sonhe, construa seu sonho. Quanto custa esse sonho, por mês? Tenha equilíbrio, e equilíbrio é poupar sem perder o que tem hoje. Se você tiver disciplina para investir, sempre usado o balde de investimentos, certamente se tornará rico. Não tente fixar a quantidade de investimentos, como 30% ou 10%, siga seu estilo de vida e faça suas escolhas.

Segredo para Não Faltar
  1. Poupar para segurança - 8 a 10%
  2. Qualidade de vida - felicidade, lazer, clube, cinema, trabalho voluntário
  3. Gastos básicos - casa, carro, roupa
Cerbasi comentou que quando fala de riqueza ele fala em ter o suficiente para viver de renda. Nesse sentido, ele analisa que algumas decisões aceitas como o quem casa quer casa. Ao fazer um financiamento de imóvel, faz-se um planejamento de longo prazo que envolve por exemplo 100 mil à vista, mais parcelas por 20 anos a 1% de juro comprometendo aproximadamente 30% da renda com uma casa que tem ainda um quartinho extra para um futuro filho.

No entanto, este investimento cobre necessidades que ainda não existem e, o pior, faz com que a pessoa engesse o orçamento e deixe de investir. Nesse caso, existe também a opção de investir esses 30% e pagar o aluguel de um apartamento bem menor, investindo em mais lazer e mais investimento, que são necessidades imediatas. Engessar o orçamento, com especialmente nessa etapa de vida, é arriscado. O imóvel faz com que a pessoa fixe raizes na cidade onde está o imóvel em um periodo em que ela não ganha também. O aluguel dá mais flexibilidade e é melhor fincar raizes quando se ganha bem. Sempre desconfie do banco, ou seja, confie porque você conhece e levantou todas as informações.

Os 4 Ingredientes

  1. Tempo - é melhor investir quando se tem tempo pela frente. Nessa etapa de vida também não é recomendável perder tempo estudando investimentos. É melhor gastar o tempo investindo na carreira para ter mais renda, ficando mais tranquilo e deixando os investimentos serem gerenciados por pessoas especializadas que o multiplicarão.
  2. Juros Compostos - reinvestir os juros recebidos. Isso é regra em vários negócios, seja em aplicações em papeis ou em compra e venda. Esse investimento deve estar à parte da sua vida pois isso ajudará a formar um bom volume de dinheiro, e quanto maior o volume maior o efeito dos juros.
  3. Decisões Inteligentes - decisões inteligentes requerem maturidade, e maior contato com o mercado
  4. Dinheiro - um plano de previdência privada muitas vezes é um bom investimento, pois estar com o futuro garantido deixa mais livre para mais riscos.
Quanto a investimentos mensais, lembre-se de corrigir o investimento com a inflação. Além disso, o rendimento a considerar é sempre o líquido, descontando imposto de renda e inflação. 1% de rendimento líquido é fácil quando se tem disciplina. Além disso, ninguém investe sozinho, faça uso da inteligência coletiva.

Para lidar bem com investimentos você deve estar envolvido e bem informado. A dica do Cerbasi é experimentar. Ele trabalha com ações por ser da área financeira e estar mais confortável com esse tipo de aplicação, fazendo análises simples como patrimônio por lucro e yield e usando informações de relações com investidores. No entanto, no Brasil, hoje, qualquer investimento pode dar um bom retorno.

Resumindo as ideias do Cerbasi, lembre-se: por que você trabalha? Para enriquecer o empregador. A riqueza está nas suas escolhas. Persiga seu sonho, construa, concretize por elementos, o dinheiro vem atrás. Não pense somente em um número, como 1 milhão. mais importante que isso é a saude, a mente, os amigos, o amor. O dinheiro apenas potencializa o que você já é.

sábado, 2 de julho de 2011

HBR - Repensando o Capitalismo


Posto aqui um resumo das ideias apresentadas por Michael Porter na entrevista em vídeo Rethinking Capitalism feita pela Harvard Business Review em 5 de janeiro. Os trabalhos de Porter, como "As Cinco Forças Competitivas que Formam a Estratégia", revolucionaram o assunto Estratégia e nesta entrevista ele apresenta uma evolução do capitalismo para atender as demandas da sociedade.

Segundo ele, os negócios evoluiram no escopo estreito de como criar valor econômico e as empresas acabam sendo vistas como criadoras de lucro ao custo das comunidades em vez de criar valor que acima de tudo beneficie as comunidades. Desta forma, os governos passaram a ver negócios como problemas, fontes de coisas ruins alimentando um modelo mental com cada vez mais regulação, controle e impostos, satisfazendo uma opinião pública que surge dessa percepção dos negócios.

Nos últimos anos a visão de relacionamento entre negócios e sociedade foi marcada pela ideia de que a maximização de lucros era benéfica à sociedade por gerar mais empregos e, assim, inclusão social, de forma que o que é bom para os negócios é naturalmente bom para a sociedade. No entanto, há áreas, como saude, nutrição e a crise hipotecária, em que a relação entre maximização de lucro e as demandas da sociedade se tornaram mais complicadas.

Ainda que o lucro não seja fundamentalmente inconsistente com as necessidades da sociedade, se as empresas enxergarem o lucro em uma perspectiva estreita, não pensarem de forma mais abrangente e de longo prazo e não entenderem as influências mais amplas na sustentabilidade do seu sucesso, poderão cair na situação de um lucro que vem ao custo das necessidades sociais. Dessa forma, as pessoas podem não gostar destas empresas, em uma situação em que há lucro porém não há contratações, há demissões, fornecedores locais saem do negócio e poluição.

A premissa de que é o que é bom para os negócios é bom para a sociedade deve ser mudada para o que é bom para a sociedade é bom para os negócios. Parece apenas um jogo de palavras, mas é uma grande mudança de pensamento. A nova frase diz que criar benefício social é uma forma poderosa de criar valor econômico para a empresa. Por não pensarem dessa forma, muitas empresas perdem grandes oportunidades de lucro do jeito certo que na realidade surgem de atender necessidades sociais humanas. Pensando no meio ambiente, por exemplo, pode surgir simplesmente por alguém querer ser uma boa pessoa. No entanto, muitas empresas, hoje, economizam milhões em dinheiro, eliminando logística desnecessária ou usando menos energia, por exemplo. Outras empresas criam produtos que não lidam apenas com necessidades básicas, que não forçam produtos aos consumidores, mas sim produzem produtos que são de verdade bons para os consumidores, que são nutricionais, saudaveis, auxiliam-nos a economizar e criar sua família. Essa é a forma certa de criar lucro.

Uma das premissas do conceito de valor compartilhado (Shared Value) é que nós maximizamos a satisfação de necessidades convencionais das últimas décadas, porém nós temos vastas necessidades sociais, nos paises em desenvolvimento ou nos desenvolvidos, como em questões de saude, habitação, e nós podemos mobilizar o capitalismo para resolver estas questões e podemos ganhar muito dinheiro fazendo isso. O lucro nesse contexto deve vir de valor compartilhado, não ao custo das comunidades.

Porter se deu conta desse conceito quando estudou qual a importância da localização das empresas, o que foi crítico para ver as sinergias e relações entre os negócios e a sociedade. Nesse sentido, no próximo capítulo do pensamento sobre estratégia, sobre configuração de cadeias de valor e criação de vantagens estratégicas, as dimensões de valor compartilhado da estratégia de uma empresa, que envolvem os impactos sociais e as necessidades importantes da sociedade, vão ser os maiores diferenciais que as empresas poderão mobilizar.

Um exemplo é a empresa Whole Foods, que criuou um enorme sucesso econômico utilizando o conceito de valor compartilhado. Na opinião de Porter, a estratégia das empresas que obterão vantagens competitivas sustentáveis não vai ser baseada em pequenas diferenças e equilíbrios entre custo e qualidade, mas engajarão comunidades nunca atendidas e considerarão as necessidades humanas fundamentais relacionadas aos produtos.

Será que é possível escolher entre lucro e comunidade? Porter diz que há muitas coisas que as empresas podem fazer que não envolvem esse trade-off entre comunidade e lucro. E é nessas ações que as empresas devem focar. Nesse sentido, para construir valor compartilhando pensando além dessa perspectiva, não dê dinheiro em causas sociais aleatórias simplesmente para construir uma reputação. Em vez disso, compreenda bem o que é o seu produto, com é a sua cadeia de valor e entenda onde eles tocam importantes necessidades da sociedade. Se você é uma empresa de alimentos, pense em nutrição, se a sua empresa tem um produto que utiliza muita energia, pense no uso de energia do produto, se a sua empresa está no setor financeiro, pense em poupança, financiamento ou a compra de casa própria, mas de uma forma que realmente seja boa para o consumidor, não apenas uma iniciativa cínica para forçá-los a adquirir uma hipoteca que eles não vão conseguir pagar. Então, há muitas oportunidades em produtos, cadeias de valor e clusters de várias organizações.

Um exemplo é o fair trade, que visa distribuir melhor os preços entre produção e logística para que os agricultores possam receber mais. Essa é uma ideia clássica da de Responsabilidade Social Corporativa, em que há uma torta fixa, ou seja, uma quantidade de riqueza fixa e foca-se na redistribuição e no fazer com que as pessoas se sintam boas, por serem justas. No valor compartilhado, a verdadeira oportunidade é aumentar a torta pensando em como criar mais valor e, assim, o agricultor vai ser recompensado por participar na criação de mais valor do qual todos são beneficiados. Nessa linha, as empresas estão aprendendo que treinar os agricultores para melhorar o plantio, melhorar o acesso a fertilizantes, sementes ou melhorar o sistema de logística resulta em mais produtividade por hectare, aumento de qualidade e consequentemente aumento do preço, já que as pessoas vão pagar mais por um produto de maior qualidade, o que faz com que o aumento da renda do agricultor vá de 20% para 200%. Isso não é caridade, é aumentar a torda, criando valor econômico e valor social.

A maior objeção para a RSC é por que uma pessoa com seus valores pessoais vai investir o dinheiro do acionista em uma causa e não outra? O valor compartilhado é de interesse da própria empresa, que irá, por exemplo, comprar o café de uma forma diferente. Nesse sentido é ainda a mão invisível e não o uso do dinheiro do acionista.

Há excelentes empresas liderando esse movimento. Os chefes de RSC estão percebendo que a RSC pode estar em uma fase terminal e que nós devemos avançar. O verdadeiro impacto não está na RSC ou na doação por caridades, mas sim em mobilizar o negócio em si. A boa notícia é que isso não é algo que ainda não está sendo realizado no mundo, há muitas empresas que já estão trabalhando nesse sentido como a Nestlé, Unilever e GE. Haverá um período fascinante à frente. Não vamos apenar fazer o bem para a sociedade, mas vamos acabar reconfigurando a cadeia de valor, repensando a localização das coisas, as relações com fornecedores e desenvolver produtos de uma forma diferente. E os benefícios que vão muito além do que podemos imaginar hoje.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

TED: O Poder da Vulnerabilidade


Posto aqui as ideias principais do TED talk da Brené Brown, Power of Vulnerability. Brené Brown estudou como as pessoas se ligam e, com um perfil voltado a análise de dados ao invés de discussões subjetivas, buscou desvendar quais características fazem com que as pessoas sejam mais ligadas.

Segundo ela, a conexão, a ligação, é a razão de estarmos aqui, o que dá propósito e significado à vida. A capacidade de se sentir ligado é neurobiologicamente como estamos programados.

Brown descobriu que vergonha e medo eram base para a conexão. E que a vergonha pode ser facilmente entendida como o o medo da desconexão. Algo que se as pessoas soubessem ou vissem sobre nós não nos faria dignos de conexão. Algo sobe o qual ninguém quer falar a respeito e sobre o qual quanto menos se fala mais se tem. No entanto, isso é universal, todos tem. As pessoas que não experimentam vergonha não têm capacidade para empatia ou conexão humana. A base dessa vergonha, o sentimento de não ser suficiente, bonito o suficiente, rico, esperto o suficiente, era uma vulnerabilidade dilacerante, essa ideia de que para que a conexão aconteça nós temos que nos permitir ser vistos, de verdade.

Após anos de pesquisa, Brown separou as pessoas que realmente tinham um senso de valor, mercimento, que tinham um forte senso de amor e pertencer (belonging) e as que lutavam por isso, que sempre se perguntavam se eram boas o bastante. E somente uma variável separou as pessoas que tinham um forte senso de amor e pertencer e as pessoas que lutavam por isso. As pessoas que tinham um forte senso de amor e pertencer acreditavam que eram dignas de amor e pertencer. Só isso. Elas acreditavam que mereciam. E a parte difícil do que nos mantém desconectados é nosso medo de que nós não somos dignos de conexão.

E o que essas pessoas tinham em comum era um sensor de coragem. Coragem não é valentia. A definição original de coragem vem do latim cor, que significa coração. E a definição original era para contar a história de quem você é com todo seu coração. Estas pessoas tinham, simplesmente, a coragem de serem imperfeitas. Tinham a compaixão de serem amáveis consigo mesmas e então com os outros, pois não podemos praticar a compaixão com os outros se não nos tratamos de forma amável. E eles tinham conexão como resultado de autenticidade, eles estavam dispostos a abandonar quem eles achavam que tinham que ser para serem quem eles eram, algo que você certamente tem que fazer para ter conexão.

Eles abraçavam completamente a vulnerabilidade. Acreditavam que o que os tornava vulnerável os tornava belos. Eles não sentiam isso como algo confortável ou dilacerante, apenas falavam disso como algo necessário. Falavam sobre a disposição de dizer "eu te amo" primeiro, a disposição de fazer algo onde não havia garantias, a disposição de respirar enquanto aguarda o médico chamar após um mamograma. Eles estavam dispostos a investir em uma relação que poderia ou não dar certo. E eles achavam isso fundamental.

A forma de viver é com vulnerabilidade e parando de controlar e prever. A vulnerabilidade é o centro da vergonha e do medo e nossa luta para o merecimento, mas parece que é também a fonte da alegria, da criatividade, do pertencer, do amor. Nós vivemos em um mundo vulnerável. E uma das formas com que lidamos com isso é que nós entorpecemos a vulnerabilidade. Nós somos os mais endividados, obesos, viciados e medicados bandos de adultos na história. O problema é que, pela pesquisa, você não pode seletivamente suavizar emoções. Não se pode dizer aqui estão as coisas ruins, a vulnerabilidade, a mágoa, a vergonha, o medo, a decepção, não quero sentir isto. Não se pode entorpecer os sentimentos difíceis sem entorpecer os afetos, as emoções. Quando nós suavizamos as coisas ruins suavizamos também a alegria, a gratidão, a felicidade.

Nós buscamos tornar perfeito. E nós buscamos tornar perfeito, mais perigosamente, nossos filhos. Nossa função não é dizer "Olha ela, ela é perfeita. Meu trabalho é mantê-la perfeita - ter certeza de que ela faça parte do time de tênis na quinta série e faça Yale na sétima série". Não é essa nossa função. Nossa função é olhar e dizer "Quer saber? Você é imperfeita, e você está programada para lutar, mas você é digna de amor e pertencer". Essa é nossa função. Mostre-me uma geração de crianças criadas dessa forma e nós vamos acabar com os problemas que vemos hoje.

Podemos nos deixar sermos vistos, profundamente vistos, vulneravelmente vistos. Amar com todo nosso coração, mesmo quando não há garantia - e isso é realmente difícil. Praticar a gratidão e a alegria nesses momentos de terror, quanto estamos nos perguntando "Consigo amá-lo tanto assim? Consigo acreditar nisso com essa paixão? Consigo ser tão feroz sobre isso?" só para ser capaz de parar e, ao invés de catastrofizar o que pode acontecer, dizer "Sou apenas tão grato, porque me sentir tão vulnerável significa que estou vivo".

Provavelmente o mais importante é acreditar que nós somos o bastante. Porque quando partimos de um lugar que diz "sou o bastante", quando nós paramos de gritar e começamos a ouvir, somos mais amáveis e mais gentis com as pessoas ao redor, e somos mais amáveis e mais gentis conosco mesmos.