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sábado, 2 de julho de 2011

HBR - Repensando o Capitalismo


Posto aqui um resumo das ideias apresentadas por Michael Porter na entrevista em vídeo Rethinking Capitalism feita pela Harvard Business Review em 5 de janeiro. Os trabalhos de Porter, como "As Cinco Forças Competitivas que Formam a Estratégia", revolucionaram o assunto Estratégia e nesta entrevista ele apresenta uma evolução do capitalismo para atender as demandas da sociedade.

Segundo ele, os negócios evoluiram no escopo estreito de como criar valor econômico e as empresas acabam sendo vistas como criadoras de lucro ao custo das comunidades em vez de criar valor que acima de tudo beneficie as comunidades. Desta forma, os governos passaram a ver negócios como problemas, fontes de coisas ruins alimentando um modelo mental com cada vez mais regulação, controle e impostos, satisfazendo uma opinião pública que surge dessa percepção dos negócios.

Nos últimos anos a visão de relacionamento entre negócios e sociedade foi marcada pela ideia de que a maximização de lucros era benéfica à sociedade por gerar mais empregos e, assim, inclusão social, de forma que o que é bom para os negócios é naturalmente bom para a sociedade. No entanto, há áreas, como saude, nutrição e a crise hipotecária, em que a relação entre maximização de lucro e as demandas da sociedade se tornaram mais complicadas.

Ainda que o lucro não seja fundamentalmente inconsistente com as necessidades da sociedade, se as empresas enxergarem o lucro em uma perspectiva estreita, não pensarem de forma mais abrangente e de longo prazo e não entenderem as influências mais amplas na sustentabilidade do seu sucesso, poderão cair na situação de um lucro que vem ao custo das necessidades sociais. Dessa forma, as pessoas podem não gostar destas empresas, em uma situação em que há lucro porém não há contratações, há demissões, fornecedores locais saem do negócio e poluição.

A premissa de que é o que é bom para os negócios é bom para a sociedade deve ser mudada para o que é bom para a sociedade é bom para os negócios. Parece apenas um jogo de palavras, mas é uma grande mudança de pensamento. A nova frase diz que criar benefício social é uma forma poderosa de criar valor econômico para a empresa. Por não pensarem dessa forma, muitas empresas perdem grandes oportunidades de lucro do jeito certo que na realidade surgem de atender necessidades sociais humanas. Pensando no meio ambiente, por exemplo, pode surgir simplesmente por alguém querer ser uma boa pessoa. No entanto, muitas empresas, hoje, economizam milhões em dinheiro, eliminando logística desnecessária ou usando menos energia, por exemplo. Outras empresas criam produtos que não lidam apenas com necessidades básicas, que não forçam produtos aos consumidores, mas sim produzem produtos que são de verdade bons para os consumidores, que são nutricionais, saudaveis, auxiliam-nos a economizar e criar sua família. Essa é a forma certa de criar lucro.

Uma das premissas do conceito de valor compartilhado (Shared Value) é que nós maximizamos a satisfação de necessidades convencionais das últimas décadas, porém nós temos vastas necessidades sociais, nos paises em desenvolvimento ou nos desenvolvidos, como em questões de saude, habitação, e nós podemos mobilizar o capitalismo para resolver estas questões e podemos ganhar muito dinheiro fazendo isso. O lucro nesse contexto deve vir de valor compartilhado, não ao custo das comunidades.

Porter se deu conta desse conceito quando estudou qual a importância da localização das empresas, o que foi crítico para ver as sinergias e relações entre os negócios e a sociedade. Nesse sentido, no próximo capítulo do pensamento sobre estratégia, sobre configuração de cadeias de valor e criação de vantagens estratégicas, as dimensões de valor compartilhado da estratégia de uma empresa, que envolvem os impactos sociais e as necessidades importantes da sociedade, vão ser os maiores diferenciais que as empresas poderão mobilizar.

Um exemplo é a empresa Whole Foods, que criuou um enorme sucesso econômico utilizando o conceito de valor compartilhado. Na opinião de Porter, a estratégia das empresas que obterão vantagens competitivas sustentáveis não vai ser baseada em pequenas diferenças e equilíbrios entre custo e qualidade, mas engajarão comunidades nunca atendidas e considerarão as necessidades humanas fundamentais relacionadas aos produtos.

Será que é possível escolher entre lucro e comunidade? Porter diz que há muitas coisas que as empresas podem fazer que não envolvem esse trade-off entre comunidade e lucro. E é nessas ações que as empresas devem focar. Nesse sentido, para construir valor compartilhando pensando além dessa perspectiva, não dê dinheiro em causas sociais aleatórias simplesmente para construir uma reputação. Em vez disso, compreenda bem o que é o seu produto, com é a sua cadeia de valor e entenda onde eles tocam importantes necessidades da sociedade. Se você é uma empresa de alimentos, pense em nutrição, se a sua empresa tem um produto que utiliza muita energia, pense no uso de energia do produto, se a sua empresa está no setor financeiro, pense em poupança, financiamento ou a compra de casa própria, mas de uma forma que realmente seja boa para o consumidor, não apenas uma iniciativa cínica para forçá-los a adquirir uma hipoteca que eles não vão conseguir pagar. Então, há muitas oportunidades em produtos, cadeias de valor e clusters de várias organizações.

Um exemplo é o fair trade, que visa distribuir melhor os preços entre produção e logística para que os agricultores possam receber mais. Essa é uma ideia clássica da de Responsabilidade Social Corporativa, em que há uma torta fixa, ou seja, uma quantidade de riqueza fixa e foca-se na redistribuição e no fazer com que as pessoas se sintam boas, por serem justas. No valor compartilhado, a verdadeira oportunidade é aumentar a torta pensando em como criar mais valor e, assim, o agricultor vai ser recompensado por participar na criação de mais valor do qual todos são beneficiados. Nessa linha, as empresas estão aprendendo que treinar os agricultores para melhorar o plantio, melhorar o acesso a fertilizantes, sementes ou melhorar o sistema de logística resulta em mais produtividade por hectare, aumento de qualidade e consequentemente aumento do preço, já que as pessoas vão pagar mais por um produto de maior qualidade, o que faz com que o aumento da renda do agricultor vá de 20% para 200%. Isso não é caridade, é aumentar a torda, criando valor econômico e valor social.

A maior objeção para a RSC é por que uma pessoa com seus valores pessoais vai investir o dinheiro do acionista em uma causa e não outra? O valor compartilhado é de interesse da própria empresa, que irá, por exemplo, comprar o café de uma forma diferente. Nesse sentido é ainda a mão invisível e não o uso do dinheiro do acionista.

Há excelentes empresas liderando esse movimento. Os chefes de RSC estão percebendo que a RSC pode estar em uma fase terminal e que nós devemos avançar. O verdadeiro impacto não está na RSC ou na doação por caridades, mas sim em mobilizar o negócio em si. A boa notícia é que isso não é algo que ainda não está sendo realizado no mundo, há muitas empresas que já estão trabalhando nesse sentido como a Nestlé, Unilever e GE. Haverá um período fascinante à frente. Não vamos apenar fazer o bem para a sociedade, mas vamos acabar reconfigurando a cadeia de valor, repensando a localização das coisas, as relações com fornecedores e desenvolver produtos de uma forma diferente. E os benefícios que vão muito além do que podemos imaginar hoje.

sábado, 20 de novembro de 2010

"Deem-me a cozinha e eu transformarei estas crianças"

Essa foi a frase do Marcelo Casanova e as crianças a quem ele se refere são as mais de 90 crianças do projeto Galera de Deus Escola de Valores - veja os vídeos.



O Galera de Deus Escola de Valores é um projeto coordenado pela Profa. Maria Luiza, coordenadora do Mestrado em Psicologia na UEL, e pelo seu marido, Marcelo Casanova, que deixou sua carreira de representante comercial para se dedicar em prol das crianças. A Profa. Maria Luiza utiliza os conceitos de Psicologia do Comportamento para educar e despertar os bons valores nas crianças. Diversas oficinas estão sendo realizadas, como Flauta, Aulas de Reforço Escolar e Contação de Histórias. Uma ideia que tem dado bastante certo é o dinheirinho do Galera, que recompensa positivamente e incentiva os bons comportamentos das crianças.

A mais nova oficina do projeto é a de Culinária, que acontece às segundas-feiras das 14:00 às 17:00. Contando em média com 40 crianças que moram principalmente no Morro do Carrapato e no Jardim Marabá, zona Leste de Londrina, a oficina é realizada por uma voluntária do Mercado São Francisco que também cursa Culinária. As crianças botaram a mão na massa e já fizeram enrolado assado de presunto, broa de fubá e brigadeiro de leite em pó. Mais do que simplesmente fazer, as crianças aprenderam a fazer do jeito certo, seguindo normas de higiene, procedimentos corretos e os uniformes. Além disso, seguem altíssimos critérios de qualidade exigidos pela professora. As oficinas foram tão animadas que os meninos até pararam de jogar futebol para aprenderem a fazer os salgados.

Apesar do bom andamento da oficina, o problema na região ainda é sério. Lá estão parte das 40 mil famílias que enfrentam a fome, conforme matéria na Folha de Londrina. Às quartas-feiras, o projeto Galera de Deus Escola de Valores está servindo almoços para 40 crianças que passam o dia todo sem comer. Nas quartas-feiras à tarde é também servido o Sopão ou uma Macarronada organizados pela própria moradora do bairro, Maria do Prado, atendendo 100 pessoas. Existem diversos fatores que levam à fome na região. No caso das crianças, seus pais, que em geral trabalham com reciclagem, saem de casa cedo e não podem retornar para fazer o almoço. Por não haver gás, os fornos são à lenha e as crianças não sabem usá-los. Além disso, por não haver energia elétrica, não há como cozinhar para a semana. Mesmo os programas sociais não atendem todos os que precisam do benefício e, muitas vezes, são também limitados. Há clara diferença entre a situação dos empregados e dos beneficiários de programas sociais.

O maior problema da fome é o atraso no desenvolvimento da criança. Em entrevista também publicada na Folha de Londrina, o Prof. Ronaldo Baltar, da UEL, diz: "É uma situação terrível, de desespero. A pessoa passa a viver em situação de risco quando não tem a noção do que vai acontecer no final do dia se não tiver um prato de comida. Cria-se uma instabilidade grande, uma incapacidade de pensar outras alternativas que não sejam buscar o alimento. Ninguém vai estudar ou se qualificar nessa situação. A solução para a fome passa a ser prioridade. A situação combinada de falta de abrigo, alimento e roupas, para quem tem uma família, é cruel. A fome crônica causa dificuldades de aprendizagem porque afeta a capacidade de concentração e de compreensão. Com fome, ninguém estuda, ninguém aprende. E surgem deficiências físicas que, a longo prazo, causam incapacidade para o trabalho."

Apesar deste cenário, a mudança sempre pode acontecer. Mesmo sendo inexperientes, os quitutes feitos pelas crianças ficaram excelentes. As próprias mães comentaram que os salgados poderiam até ser vendidos, despertando o interesse para que as oficinas fossem feitas também pelas mães, o que poderia vir a se tornar uma fonte de renda. Além disso, as oficinas podem ser realizadas de forma aos próprios moradores auxiliarem na realização dos almoços no projeto, dando a eles a oportunidade de se auto-sustentarem. Trata-se de uma ideia que veio das próprias mães!

Para isso, o objetivo agora é conseguir dois fornos industriais. O forno que está no projeto é muito pequeno e as aulas têm de ficar muito tempo paradas para aguardar o preparo. A cozinha equipada vai ser usada também para fazer os almoços para as crianças que passam o dia todo sem comer. A farinha e os alimentos já são arrecadados pelo Marcelo com 5 mercados de Londrina. Para a cozinha ser totalmente equipada, são necessários o fogão de 4 bocas, o fogão de 6 bocas e uma ilha para servir as refeições. O Marcelo fez o orçamento dos fornos industriais e conseguiu um bom preço. R$ 400,00 pelo forno de 4 bocas, R$ 150,00 pelo conserto de um forno de 6 bocas que está no projeto e R$ 500,00 para uma ilha de 8 caçarolas.

Segundo o Prof Ronaldo: "A solidariedade é fundamental, pois é isso que mantém, em boa parte, a expectativa, a esperança. Se não fosse isso, a situação de penúria, de sofrimento, seria muito maior. Nem sempre a pessoa que recebe caridade vai se acostumar. Isso até acontece em programas oficiais, mas em uma parcela pequena da população, porque as oportunidades de emprego oferecem salário menor. Não é falta de vontade de fazer outra coisa, é um cálculo racional. Em comunidades onde as pessoas têm uma atitude mais coletiva, há reforço da autoestima e incentivo à busca de uma solução coletiva. Da autoajuda acaba saindo a ideia da cooperativa que gera renda."

Se você quer fazer parte dessa mudança e contribuir, poste um comentário ou mande um email para galeradedeus@uel.br ou ligue para o número (43) 8824-7689.

A PRIMEIRA FORNADA VAI SER DE VOCÊS! FAÇA PARTE DESSA HISTÓRIA!

PROJETO OFICINA DE CULINÁRIA

Atividades em Andamento

Segundas-Feiras
  • Treinamento de crianças para Educação e criação de valores por meio de oficinas práticas de culinária
Quartas-Feiras
  • Realização de almoços para atender crianças em situação de risco alimentar
  • Realização de sopão e macarronada para atender a toda a comunidade
Atividades Planejadas
  • Realização de almoços todos os dias para atender crianças em situação de risco alimentar
  • Realização de sopão e macarronada para atender a toda a comunidade
  • Treinamento das mães para qualificação profissional e geração de renda
  • Formação de mão de obra para inserção no mercado de trabalho e para colaboração interna no projeto
  • Assistência na comercialização dos produtos feitos pelas mães
  • Palestras de conscientização sobre saúde e higiene alimentar
Público Atendido
  • 40 crianças nos almoços
  • 100 pessoas no Sopão
Moradores principalmente do Morro do Carrapato e Jardim Marabá, Zona Leste de Londrina

Localização da Sede do Projeto
Rua Santa Terezinha, 520 - Mapa

Impacto
  • No mínimo 40 crianças adequadamente alimentadas todos os dias, proporcionando as condições mínimas necessárias para o seu desenvolvimento
  • Qualificação de jovens para inserção futura no mercado de trabalho
  • Qualificação de mães para geração de renda e contribuição como auxiliares no projeto, permitindo um atendimento cada vez melhor à comunidade
  • Geração de renda por meio da comercialização dos produtos
  • Educação de valores prestadas às crianças que frequentam o projeto
  • Melhoria na saúde devido a melhor higiene na alimentação
Requisitos para o Início do Projeto
  • Forno industrial 4 bocas - R$400,00
  • Conserto de forno industrial 6 bocas - R$150,00
  • Ilha 8 caçarolas - R$500,00
Acompanhe quanto falta para começar a oficina!




quarta-feira, 27 de outubro de 2010

JCI - Impacto


"Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos comprometidos cheios de ideias possa mudar o mundo. De fato, é a única coisa que toda vez o faz." - Margaret Mead

Aos 18 anos, Henry Giessenbier formou em St. Louis o Clube de Dança Herculaneum, um clube social com um simples propósito: formar um relacionamento mais próximo e agradável entre os membros e concentrar seus esforços por ideias melhores e mais elevadas e por posição social. Tendo o Herculaneum atingido a reputação de ser o líder entre tais grupos, Giessenbier acreditou que um propósito melhor poderia ser servido unindo-os, passando então a convidar empresários e líderes comunitários para falar ao grupo em suas reuniões. Os pilares do grupo foram então formados: trabalho de verdade, não apenas conversa, melhorar a comunidade e reuniões gerais verdadeiramente interessantes. O propósito desta associação era educar seus membros por estudo e discussão, independente de política ou religião, sobre negócios, problemas nacionais e cívicos e outros assuntos e atividades que permitiriam o avanço do caráter e a eficiência de seus membros. Em uma palestra, o Coronel Huse Morgan apresentou o projeto de uma autopista e uma preocupação genuína sobre o impacto deste projeto na vida dos moradores.

Nesse espírito, Giessenbier então despertou para formar novos ideais para o grupo: "congregar os jovens desta grande cidade com o propósito de fomentar a amizade e desenvolvimento que possa transformar um bom menino num menino melhor, um bom estudante num estudante mais aplicado e um bom cidadão num cidadão melhor". Diz o preâmbulo da Constituição da JCI: “Conscientes do fato de que um adequado treinamento cívico das pessoas jovens fará com que elas tenham uma influencia decisiva na solução justa dos problemas da humanidade; determinados a proteger as futuras gerações da infelicidade trazida por desentendimentos entre as pessoas e ansiosos em promover o bem estar e progresso de todas as pessoas; Nós resolvemos unir nossos esforços em constituir uma associação internacional de Câmaras Júnior.” Assim nasceu a JCI.

MISSÃO DA JCI
Proporcionar oportunidades de desenvolvimento que dêem poder às pessoas jovens para criar mudanças positivas

VISÃO
“Ser a principal rede global de jovens cidadãos ativos”

VALORES, CARTA DE PRINCÍPIOS
Nós acreditamos:
Que a fé em Deus dá significado e propósito à vida
Que a fraternidade entre os homens transcende a soberania das nações
Que a justiça econômica pode ser melhor obtida por homens livres pela livre iniciativa
Que governos devem ser de leis mais do que de homens
Que o maior tesouro da Terra jaz na personalidade humana
Que o serviço à humanidade é a melhor obra de uma vida

A JCI é uma organização sem fins lucrativos presente em mais de 100 países baseada na participação de jovens cidadãos ativos entre 18 e 40 dedicados a criar mudanças positivas em suas comunidades. Os membros da JCI assumem responsabilidade por suas comunidades identificando problemas e objetivando soluções por meio de projetos comunitários. A JCI não tem a ver com o que você pode ganhar, tem a ver com o que você pode dar. Jovens motivados se filiam à JCI para colaborar com outros indivíduos apaixonados e ver o impacto da verdadeira mudança.

Os membros da JCI buscam formas de viver o slogan Be Better, Ser Melhor. Pensamos criticamente sobre os maiores desafios da sociedade e agimos em nome de nossas comunidades para sermos parte da solução. Buscamos melhores soluções para construir melhores comunidades criando um futuro melhor.

A atitude, o impacto e a visão de mundo diferenciam a JCI. A JCI é única na abordagem básica de que as pessoas jovens têm um importante papel na organização de projetos e programas que sirvam às necessidades das comunidades onde vivem. Nenhuma autoridade central escolhe esses programas. Em vez disso a JCI simplesmente torna possível uma troca de ideias e sistemas, que beneficiarão todos os membros, enquanto partilha o idealismo ardente de que pessoas jovens podem mudar o mundo.

A JCI é um movimento social local com âmbito internacional. Na JCI, a ação é local mas nossos princípios e impacto são globais.
Um ano de impacto, um ano para liderar. Os cargos na JCI são rotativos e duram apenas um ano, oferecendo oportunidades de lideranças para novos membros todo ano. Como cidadãos responsáveis em um mundo globalizado, os membros da JCI assumem os desafios ao seu redor para o desenvolvimento local por meio de projetos adequados às suas realidades, utilizando planejamento estratégico para elaborar soluções criativas aos problemas de suas comunidades.

O que é tão especial sobre a JCI vai além dos benefícios dos membros. Novamente, não tem a ver com o que você ganha, tem a ver com o que você dá. O membro deve viver a missão, a visão e os valores da JCI e contribuir para criar mudança positiva para assim encontrar os verdadeiros benefícios da filiação à JCI. A experiência única da JCI vem da cidadania ativa e da criação da mudança positiva. Está em fazer uso de seu próprio poder para melhorar o mundo, para resolver um problema em sua comunidade, para impactar positivamente a vida dos outros, encontrar significado e propósito pessoal por meio dos valores da JCI e observar sua própria vida melhorar vivendo a missão da JCI.

Estes indivíduos que se tornam "empoderados" para criar mudança positiva e assumem a responsabilidade pelo futuro do nosso mundo representam o verdadeiro propósito da nossa organização.

Haverá sempre problemas que precisam de soluções. Jovens poden encontrar oportunidades de muitas formas, mas só em um lugar encontram a visão de mundo da JCI. Essa atitude de cidadania ativa nos diferencia. A JCI não é limitada por uma lista finita de oportunidades, mas abraça uma visão atemporal de pessoas jovens em todo lugar agindo para criar mudança positiva.

www.jci.cc

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Junior Chamber International (JCI) para Londrina

Fizemos uma reunião há um mês atrás na Aliança-Liga Brasil Japão do Paraná. O assunto foi Câmara Júnior, no caso, a Junior Chamber International (JCI). O que estávamos buscando eram ideias de como criar projetos ou ações que pudessem fazer com que os participantes do Interseinen Paraná, departamento de jovens da entidade, pudessem atuar em prol de causas não só culturais, fundamentais na formação de bons cidadãos, mas também sociais e econômicas. A JCI, em parceria com a FIEP, está realizando o maior projeto de expansão da história no Brasil. E Londrina não fica de fora, não é, por que não trazer a JCI para Londrina? A questão é: qual serial a melhor forma de atuação da JCI em Londrina?

Segundo as informações do site (http://www.jci.org.br), a JCI é uma federação mundial de jovens líderes e empreendedores com quase um quarto de milhão de membros e milhões de ex-associados. É uma organização na qual os líderes se reúnem, aprendem e crescem. É composta por líderes entre 18 e 40 anos de inumerável ocupações que desenvolvem novas habilidades e competências contribuindo com as comunidades, alicerçando novas bases e estabelecendo novas empresas e redes sociais, aceitando pessoas de qualquer raça, cor, sexo, religião e ideologia política que desejem se transformar em líderes em qualquer área de atuação. A JCI é uma ONU dos 18 aos 40 anos.

Presente em mais de 6.000 comunidades em mais de 100 países ao redor do mundo e com mais de 200.000 jovens associados, a JCI tem como alguns de us objetivos criar melhores líderes para criar melhores sociedades, contribuir para que os membros alcancem mais do que parece ser possível no ambiente familiar, empresarial e social.

Missão da JCI (site)
Oferecer oportunidades de desenvolvimento que permitam aos jovens criar mudanças positivas.

Visão da JCI
Ser a principal rede mundial de jovens cidadãos ativos.

Valores da JCI
Fé, Fraternidade, Livre Iniciativa, Justiça, Personalidade Humana e Serviço Humanitário

Negócio
Empreender projetos nas 4 áreas de atuação da JCI - individual, negócios, internacional e comunitária, com ênfase na geração de negócios e internacionalismo.

O que faz a JCI ser diferente das outras organizações (site)
• Foca-se no desenvolvimento de bons líderes
• Rede internacional
• Desenvolvimento de habilidades em 4 campos (Negócios, Internacionalismo, Capacitação e Comunitária)
• Aprender técnicas de negócios
• Oportunidades de liderança para todos
• Oportunidades de receber treinamentos e de tornar-se um Facilitador

O que o voluntário recebe de retorno com sua associação
• Membros investem seu tempo e seu dinheiro com interesse na sua afiliação na JCI
• Para alguns este interesse é o aprendizado de novas habilidades, desenvolvimento pessoal e profissional
• Para outros este interesse pode ser satisfação pessoal, por ser reconhecido, por sentir-se útil e recompensado

Oportunidades (site)

Individuais
As atividades da JCI têm por finalidade fomentar a superação pessoal dos membros e ajudá-los a aproveitar ao máximo seu potencial. A JCI oferece numerosas oportunidades para desenvolver habilidades como dirigentes e coordenadores de projetos na comunidade e nas organizações locais e nacionais. Para dar aos membros os padrões mais elevados de capacitação, a JCI oferece também muitos programas, bem como certificação de seu Instituto de Capacitação Internacional. Ao contribuir para que os membros adquiram experiência em tomar decisões, a JCI contribui para o desenvolvimento dos futuros líderes da comunidade e do comércio.

Comunidade
A JCI crê que seus membros são um investimento no bem estar presente e futuro de suas comunidades. Os membros da JCI estão de pleno acordo e respaldam princípio de " pensar
localmente e agir globalmente". Os membros e patrocinadores sabem que a ajuda que dão a suas comunidades repercute na cidade, no estado, na região; que os projetos regionais beneficiam a todo o país; e que o trabalho que se realiza em um país pode repercutir em todo o mundo. Pondo em prática a última frase do Credo da JCI "Que servir à humanidade é a melhor obra de uma vida" -, os membros planejam e realizam cada ano dezenas de milhares de projetos em milhares de localidades, com o que impulsionam o progresso da sociedade.

Negócios
A JCI oferece aos seus membros contatos, liderança e capacitação comercial pessoal, mediante inúmeros seminários e programas comerciais, objetivando a superação como jovens empresários e executivos de negócios. Os membros têm a oportunidade de certificar suas aptidões comerciais através da Academia Comercial da JCI, o primeiro programa mundial da JCI que funciona totalmente pela Internet. A JCI apóia ativamente o desenvolvimento comercial em todos os países como meio de diminuir a pobreza e o sofrimento da humanidade. Inspirada no slogan Empreendedores em Ação, a JCI estabeleceu o programa “Concurso de Melhor Plano Empresarial do Mundo”, através do qual se premia os concorrentes que apresentarem os melhores planos para o estabelecimento de uma nova empresa ou atividade social que ajudem a obter mudanças positivas em duas categorias: "Comercial" para planos que visam lucro e "Obra Social" para atividades sem fins lucrativos.

Internacionais
Num mundo que se torna cada vez mais interdependente, os Juniores reconhecem a necessidade da paz, a tolerância e a colaboração internacional. A JCI oferece a seus membros numerosas oportunidades de compreender os assuntos mundiais e de tomar parte deles. Mediante conferências internacionais, academias, programas, relações de Capítulos Irmãos e intercâmbios comerciais, a JCI ajuda que seus membros promovam a boa vontade e compreendam melhor os desafios globais do amanhã.

Diante de tudo isso, fica novamente a questão: qual serial a melhor forma da JCI atuar em Londrina? E você, teria vontade de participar?

Tenho mais materiais, incluindo uma apresentação em slides usada na apresentação institucional às cidades. Se você quiser receber os materiais me avise pelas redes sociais. Por enquanto, seguem vídeos e cartazes sobre a JCI.









domingo, 7 de março de 2010

Derek Sivers - Lições de Liderança de um Cara Dançando


Encontrei esse vídeo no post da HBR "Are You Brave Enough to Fight for Social Change?". Este vídeo apresenta uma análise brilhante sobre liderança e como um movimento social é gerado. Você pode encontrar a transcrição em inglês no site do Derek Sivers e neste post. Leitura obrigatória para líderes, voluntários e todos aqueles que querem mudar o mundo. Note que, segundo Derek, o cara sozinho ficou dançando por 20 minutos e nada aconteceu, até que os dois seguidores se juntaram. Posto o vídeo com legendas traduzidas (eu que traduzi!) e a transcrição aqui. Para acessar o vídeo no site DotSub, site de legendas colaborativas, clique aqui.

Se você aprendeu bastante sobre liderança e realizar um movimento, então vamos assistir a um movimento acontecer, do início ao fim, em menos de 3 minutos e "dissecar" algumas lições.

Primero, é claro que Um líder precisa ter coragem para se destacar sozinho e parecer ridículo. Mas o que ele (o cara sem camisa) está fazendo é tão simples, é quase instrutivo. Isto é chave: você deve ser fácil de ser seguido!

Agora vem o primeiro seguidor com um papel crucial: ele publicamente mostra a todo mundo como seguir. Note como o líder o abraça com um igual. Então não se trata mais do líder - trata-se deles, plural. Note como ele está chamando seus amigos para participar. Então, é preciso ter coragem para ser o primeiro seguidor! Você se destaca, encara o ridículo, por si só. Ser o primeiro seguidor é uma forma subestimada de liderança. O primeiro seguidor transforma um louco solitário em um líder. Se o líder é o fósforo o primeiro seguidor é a faísca que realmente faz o fogo.

E agora aqui está o segundo seguidor, esta é a reviravolta: está provado que o primeiro fez bem. Agora não é só um louco solitário, e não são dois loucos. Três é um grupo, e um grupo é novidade.

Um movimento deve ser público. Assegure-se de que os de fora vejam mais do que somente o líder. Todos precisam ver os seguidores, porque novos seguidores emulam (copiam) os seguidores, não o líder.

Agora vêm mais duas pessoas, então mais três imediatamente. Agora nós temos momento. Este é o pico! Agora nós temos um movimento! Conforme mais pessoas embarcam, não é mais arriscado. Se eles estavam em cima do muro antes, agora não há razões para não se juntar. Eles não se destacarão, não serão ridicularizados, e vão fazer parte da multidão, se se apressarem. No próximo minuto você verá o restante que prefere ser parte da multidão, porque eventualmente eles seriam ridicularizados por não se juntar.

E senhoras e senhores, assim é como se faz um movimento! Então vamos recapitular o que aprendemos:

Se você é uma versão do cara dançando sem camisa, totalmente sozinho, lembre-se da importância de tratar seus primeiros poucos seguidores como iguais fazendo tudo claramente para o movimento, não para si.

Seja público, seja fácil de ser seguido!

Mas a maior lição aqui: você pegou?

Liderança é "super-glorificada". Sim, o movimento começou com o cara sem camisa, e ele vai ter todo o crédito, mas você viu o que realmente aconteceu:

Foi o primeiro seguidor que transformou um louco solitário em um líder.

Não há movimento sem o primeiro seguidor. Veja, todos nos dizem que todos precisamos ser líderes, mas isso seria realmente ineficaz. A melhor forma de realizar um movimento, se você realmente se importa, é corajosamente seguir e mostrar a outros como seguir.

Quando você encontrar um louco solitário fazendo algo incrível, tenha coragem para ser a primeira pessoa a se destacar e participar.

terça-feira, 30 de junho de 2009

TED: Ray Anderson - Lógica de Negócios da Sustentabilidade



Posto aqui um resumo do discurso de Ray Anderson, citado por Schwartz, na conferência do TED. O vídeo foi colocado no site DotSUB, no qual legendas em diversas línguas são adicionadas de forma colaborativa.

Responsável mas Pervasivo e Poderoso
O maior culpado pela degradação da biosfera terrestre é o mundo é o negócio e a indústria. Paul Hawkings, no livro "The Ecology of Commerce", responsabiliza a indústria e o negócio como: primeiro, o maior culpado em causar o declínio da biosfera. E, segundo, como a única instituição é é grande o suficiente e pervasiva e poderosa o suficiente para realmente liderar a humanidade para fora dessa desordem. Então, Anderson desafiou as pessoas de sua empresa, Interface, que fabrica tapetes, a liderar a empresa e todo o mundo industrial para a sustentabilidade, o que foi definido como operar uma empresa baseada intensamente em petróleo de tal forma a retirar da Terra somente o que pudesse ser renovado pela Terra natural e rapidamente, nenhuma gota de óleo a mais. Não tirar nada. Não agredir. Anderson pensava: "Se Hawkins está certo e o negócio e a indústria deve liderar, quem liderará o negócio e a indústria? A não ser que alguém faça, ninguém o fará".

A Mudança
Roubo é crime. Roubar o futuro das crianças também seria crime algum dia mas, para isso, deveria haver uma alternativa claramente demonstrável ao sistema industrial pegue-faça-desperdice que domina a civilização e rouba o futuro das crianças, escavando a Terra e convertendo-a em produtos que rapidamente se tornam desperdícios em um aterro ou incinerar. Sucintamente, escavando a Terra e convertendo-a em poluição. De acordo com Paul e Anne Ehrlich, o impacto ambiental é gerado pelos pessoas, pelo que elas consomem em sua abundância, e em como ela é produzida. Uma equação foi proposta por eles, I = P x A x T, ou seja, o impacto é o produto de pessoas vezes afluência vezes tecnologia. Anderson quis fazer com que T no numerador, que aumenta o impacto, fosse colocado como denominador, reduzindo o impacto. Para isso, pesquisou as características de T1.

Estas características são as características da primeira revolução industrial:

  • Extrativa - Tirando matéria prima do mundo
  • Linear - Pegar, fazer, gastar
  • Impulsionada por combustíveis fósseis
  • Desperdiçadora - Abusiva e focada na produtividade da mão-de-obra, mais tapetes por homem-hora
Todas essas características deveriam ser mudadas para mover T para o denominador:

  • De extrativa para renovável
  • De linear para cíclica
  • De energia de combustíveis fósseis para energias renováveis
  • De cheia de desperdícios para livre de desperdícios e
  • De abusiva e focada na produtividade de mão-de-obra para benigna e focada na produtividade de recursos
Sustentabilidade como Negócio
Nos 12 anos desde então, A Interface atingiu 82% de redução absoluta líquida de gases de efeito estufa, as vendas aumentaram dois terços e o lucro dobrou, resultando em 90% de redução na intensidade de gases de efeito estufa relacionado a vendas - o necessário para evitar o colapso climático. O uso de combustíveis fósseis diminui 60% por unidade de produção devido a eficiências em fontes renováveis - o mais barato e seguro barril de óleo é o que não é usado por meio da eficiência. O uso de água caiu 75%, 74.000 toneladas de tapetes foram retiradas de aterros fechando o ciclo do fluxo de material por meio de logística reversa e tecnologias de reciclagem pós-cliente que não existiam quando a Interface começou há 14 anos. Estas novas tecnologias cíclicas contribuiram fortemente para a venda de 80 milhões de metros quadrados de tapetes ambientalmente neutros, o que significa nenhuma contribuição líquida para a crise ambiental na produção de tapetes pela cadeia de proução, desde as minas até a recuperação no fim de vida. E isto tem sido um poderoso diferencial de mercado, aumentando vendas e lucros.

A missão de reduzir para zero nosso impacto ambiental se revelou incrivelmente boa para os negócios. Um modelo de negócios melhor, uma melhor forma para lucros maiores. Aqui está um case para a sustentabilidade. A partir da experiência da vida real, custos estão baixos, não altos, refletindo alguns US$ 400 milhões de custos evitados na busca de desperdício zero. Isto pagou todos os custos para a transformação da Interface. E isto dispersa um mito, o da falsa escolha entre o meio ambiente e a economia. Nossos produtos estão melhores do que nunca, inspirados pelo desenvolvimento para sustentabilidade, um manancial inesperado para inovação. Nossas pessoas estão galvanizadas em torno deste propósito maior compartilhado. Não se pode vencer isto para atrair as melhores pessoas e integrá-las. E a boa vontade do mercado é espantosa. Nenhuma quantia de propaganda, nenhuma campanha de marketing inteligente a qualquer preço, poderia ter produzido ou criado toda essa boa vontade. Custos, produtos, pessoas, mercados. O que mais há aí? É um modelo de negócios melhor. Entre 2001 e 2003, as vendas caíram 17%. Mas o mercado havia caído 36%, nós literalmente ganhamos participação de mercado. Nós poderíamos não ter sobrevivido àquela recessão não fosse as vantagens da sustentabilidade.

Todos Podem
Se todos os negócios seguissem os planos da Interface isso resolveria todos os nossos problemas? Anderson acredita que não. A equação de Ehrlich sugere que a abundância é um fim em si. Mas se reformularmos a afluência para sugerir que ela é um meio para um fim, e que este fim é a felicidade, mais felicidade viria com menos coisas. Isto permitiria que a sociedade se reformulasse assim como todo o nosso sistema econômico, se não para nossa espécie, então para a que nos suceder. Como disse Amory Lovins, "Se algo existe, deve ser possível". Se conseguimos fazer de verdade, deve ser possível. Se a Interface, uma empresa baseada em petróleo, consegue fazê-lo, qualquer um pode. Se qualquer um pode, então todo mundo pode.

Com o declinio da biosfera, uma pessoa muito querida está em risco. Um risco inaceitável. Quem é ela? Não eu. Não você. Mas a criança de amanhã do poema "Tomorrow's Child" de Glenn Thomas, uma mensagem simples porém profunda. Nós somos, todos e cada um, uma parte da rede da vida. O continuum da humanidade, certamente. Mas em um sentido maior, a rede da vida em si. E nós temos uma escolha a fazer durante nossa breve visita a esse belo mundo vivo verde e azul. Feri-lo ou ajudá-lo. Para você, é sua chamada.

Resumindo
- O negócio e a indústria são, primeiro, o maior culpado em causar o declínio da biosfera. E, segundo, a única instituição grande o suficiente e pervasiva e poderosa o suficiente para realmente liderar a humanidade para fora dessa desordem
- A não ser que alguém faça, ninguém o fará
- É possível mudar o sistema de produção atual, que se baseia em escavar a Terra e criar poluição:
- De extrativa para renovável
- De linear para cíclica
- De energia de combustíveis fósseis para energias renováveis
- De cheia de desperdícios para livre de desperdícios e
- De abusiva e focada na produtividade de mão-de-obra para benigna e focada na produtividade de recursos
- É um modelo de negócios melhor - a Interface poderia não ter sobrevivido à recessão não fosse as vantagens da sustentabilidade
- Mas se reformularmos a afluência para sugerir que ela é um meio para um fim, e que este fim é a felicidade, mais felicidade viria com menos coisas
-
Se a Interface, uma empresa baseada em petróleo, consegue fazê-lo, qualquer um pode. Se qualquer um pode, então todo mundo pode
-
E nós temos uma escolha a fazer durante nossa breve visita a esse belo mundo vivo verde e azul. Feri-lo ou ajudá-lo

sexta-feira, 19 de junho de 2009

TED: A Perda da Sabedoria - Barry Schwartz



Link do Vídeo - Legendado em Português

Posto aqui um resumo da transcrição de outra palestra do Barry Schwartz, no TED, sobre moralidade e sabedoria. Regras e incentivos podem nos limitar ou nos corromper, afetando nossa preocupação com a inovação ou com o que é certo. Devemos ter sabedoria prática, saber quando e como abrir exceções para fazer o que é certo, do jeito certo pelas razões certas. Ensinar nossos filhos a ter caráter, respeito por si, pelos outros e pelo ato de aprender, deve ser o maior objetivo. Vamos celebrar os exemplos de moralidade e auxiliar, a nós e aos outros, a criar sabedoria em vez de suprimi-la.

Lição de Sabedoria dos Faxineiros
"Na descrição de trabalho de um faxineiro no hospital, todos os itens, como limpar o chão, varrer, colocar estoques de produtos nos armários, são normais. Mesmo sendo uma lista muito longa, surpreendentemente não há nela um único item que envolva outros seres humanos. Nem um único. O trabalho do faxineiro poderia muito bem estar sendo feito num necrotério ao invés de num hospital. Quando os psicólogos entrevistaram os faxineiros do hospital, encontraram Mike, que contou como parou de limpar o chão porque o Sr. Jones estava fora da cama se exercitanto, tentando ficar mais forte caminhando lentamente pelo corredor. E Charlene, que ignorou a recomendação de seu supervisor e não passou aspirador na sala de visitantes porque havia familiares de paceientes que estavam no hospital todos os dias durante todo o dia e que, neste momento, estavam lá tirando uma soneca. O comportamento destes faxineiros não só faz as pessoas se sentirem um pouco melhor, mas na verdade melhora a qualidade do cuidado dos pacientes e faz com que os hospitais funcionem bem.

Os faxineiros que são assim sabem que todas estas formas de interação humana, envolvendo gentileza, cuidado e empatia, são partes essenciais do trabalho mesmo sem que haja uma só palavra na sua descrição de trabalho sobre outros seres humanos. Estes faxineiros têm a vontade moral de fazer o que é certo pelas outras pessoas e, além disso, têm a habilidade moral de perceber o que "fazer o que é certo" significa.

Aristóteles disse que "sabedoria prática é a combinação de vontade moral e habilidade moral". Uma pessoa sábia percebe quando e como abrir uma exceção a cada regra, como os faxineiros sabiam quando ignorar os deveres do trabalho em função de outros objetivos. Uma pessoa sábia sabe como improvisar, como um músico de jazz usando as notas musicais de uma página mas dançando ao redor delas, inventando combinações apropriadas para a situação e as pessoas à sua volta. Uma pessoa sábia sabe como usar habilidades morais a serviço dos objetivos corretos, para servir outras pessoas e não para manipular. E, talvez o mais importante, uma pessoa sábia é criada, não nasce pronta. Você precisa ter tempo para conhecer as pessoas que você está servindo, ter permissão para improvisar, tentar coisas novas, falhar ocasionalmente e aprender com suas falhas. E você precisa ser monitorado por mentores sábios. Não é necessário ser brilhante para ser sábio, mas sem sabedoria, brilhantismo não é suficiente."

Regras
Um pai e seu filho de 7 anos assistiam um jogo no estádio quando o filho pediu uma limonada. No quiosque só tinham a "Limonada Forte do Mike". O pai, professor da Universidade, não fazia a menor idéia que a "Limonada Forte do Mike" tinha 5% álcool. Quando um guarda viu o garoto tomando-a, chamou a polícia, que chamou a ambulância, que carregou o menino até o hospital. Na sala de emergência constatou-se que o garoto não tinha álcool no sangue e o garoto poderia ser liberado. Mas não tão rápido. O Serviço de Proteção ao Bem-Estar Infantil disse "não" e a criança foi enviada a uma família que acolhe crianças com problemas por 3 dias. Após esse tempo, o juiz disse que a criança poderia ir para casa mas somente se o pai deixasse a casa e fosse para um hotel. Após 2 semanas a família foi reunida, mas os assistentes sociais, o pessoal da ambulância e o juiz todos disseram a mesma coisa: "Nós detestamos fazer estas coisas, mas precisamos seguir as regras".

Scott Simon, que contou esta história na NPR, disse " regras podem ser idiotas, mas elas te poupam do trabalho de pensar". As regras são com frequência impostas porque pessoas foram pouco cuidadosas antes e deixaram crianças voltarem a um lar onde eram maltratadas. Quando as coisas vão mal, buscamos 2 intrumentos para consertá-las.

  1. Regras - regras melhores, mais regras
  2. Incentivos - incentivos melhores e em maior número
    O que acontece quando nós nos voltamos mais para as regras, é que regras e incentivos podem melhorar as coisas a curto prazo, mas acabam criando uma espiral descendente, que torna as coisas piores a longo prazo. A habilidade moral acaba sendo desgastada pela confiança excessiva em regras que nos privam da oportunidade de improvisar e aprender com nossas improvisações. E aí a vontade moral é minada por um apelo incessante a incentivos que destroem a nossa vontade de fazer as coisas corretamente.
Um outro exemplo de guerra contra as habilidades morais é a natureza da educação americana moderna: Currículo escolar seguindo roteiros rígidos. Em toda Chicago, em todo jardim de infância da cidade, todos os professores estão dizendo as mesmas palavras, da mesma maneira, no mesmo dia. Nós sabemos por que estes roteiros estão lá. Nós não confiamos suficientemente na capacidade de julgamento dos professores para deixá-los ensinando por si próprios. Roteiros como este são uma espécie de "seguro" contra desastres, e eles impedem desastres. Mas o que asseguram, ao invés do desastre, é mediocridade. Nós precisamos de regras! Mas regras em excesso impedem que músicos de jazz talentosos improvisem. E, como resultado, eles perdem o seu talento, ou pior ainda, param completamente de tocar.

Incentivos
Se você tem uma razão para fazer algo, e eu lhe dou uma segunda razão para fazer a mesma coisa, parece lógico que duas razões são melhor que uma e você tem mais probabilidade de fazer a tal coisa. Porém, algumas vezes as duas razões para fazer a mesma coisa parecem competir entre elas, ao invés de se complementarem, e tornam menos provável que as pessoas façam a coisa. Na Suíça, há cerca de 15 anos atrás, estavam tentando decidir aonde colocar os depósitos de lixo nuclear. Alguns psicólogos fizeram perguntas para cidadãos bem informados em diferentes áreas do País. Eles perguntaram, "você aceita ter um deposito de lixo nuclear na sua comunidade?" Surpreendentemente, 50% dos cidadãos disseram que sim. Eles sabiam que era perigoso, que iria diminuir o valor das suas moradias, mas o lixo tinha que ir para algum lugar e eles tinham responsabilidades, enquanto cidadãos. Os psicólogos perguntaram a outras pessoas uma questão ligeiramente diferente: "se nós pagarmos 6 semanas de salário por ano à você, você aceitaria ter um deposito de lixo nuclear na sua comunidade?" Duas razões. É minha responsabilidade e estou sendo pago. Ao invés de 50% dizendo que sim, 25% disseram que sim. No segundo em que a introdução de um incentivo chega a nós, ao invés de perguntarmos, "qual é a minha responsabilidade?", tudo que nós perguntamos é "o que serve a meus interesses?" Quando incentivos não funcionam, quando presidentes de empresas ignoram a saúde a longo prazo das suas companhias, perseguindo ganhos de curto prazo que levarão ao ganho de bônus enormes, a resposta é sempre a mesma. Consiga incentivos mais espertos. A verdade é que não há incentivos que serão sempre suficientemente espertos. Todo sistema de incentivos pode ser subvertido pela má fé. Nós necessitamos de incentivos. As pessoas precisam ganhar a vida. Mas confiança excessiva em incentivos desmoraliza qualquer atividade profissional, nos dois sentidos do termo. Faz com que as pessoas engajadas na atividade percam o moral, e causa a perda da moralidade da própria atividade.

Barack Obama disse, antes de sua posse, "Nós temos que perguntar não somente: 'isto vai trazer lucro?', mas também 'isto é correto'?" E quando profissões são desmoralizadas todo mundo que trabalha nelas fica viciado em incentivos, e eles param de perguntar: “isto é correto?" É obvio que esta não é a maneira pela qual as pessoas querem trabalhar.

O que podemos fazer?
Algumas fontes de esperança: Nós temos que tentar "re-moralizar" o trabalho. Uma maneira de não fazer isto: mais cursos de ética. Não há maneira melhor de mostrar às pessoas que você não é sério do que juntar tudo o que você quer dizer sobre ética num pacotinho com um laço de fita, e consigná-lo às margens de um curso de ética.

Ao invés disto? Um: celebrar exemplos de moralidade. Pessoas se inspiram com heróis morais. Mas nós aprendemos que, com sofisticação intelectual vem o entendimento de que nos não podemos admitir que temos heróis morais. Bom, admitamos eles, então. Fiquemos orgulhosos de tê-los. Comemoremos eles. E exijamos que pessoas que ensinam os admitam e os comemorem também. Isto é a coisa mais importante que podemos fazer. Aaron Feuerstein, que manteve seus funcionários na folha de pagamento mesmo após um incêncio, Ray Anderson, que transformou uma parte de um Império do Mal num negocio de emissão quase neutra de carbono, Willie Smits, que, de várias maneiras, é o exemplo perfeito, todos eles são exemplos de um herói moral. Portanto, há muitas coisas aqui no TED, e em outros lugares, para comemorarmos. E não é necessário ser um mega-herói. Ha heróis comuns. Heróis comuns, como os faxineiros, que devemos comemorar também. Como profissionais, cada um de nós deve fazer um esforço para ser um herói comum, ou se possível, fora do comum. Como chefes de organizações, nos esforçamos para criar meio-ambientes que encorajam e nutrem as habilidades morais e a determinação moral. Mesmo as pessoas mais sábias e melhor intencionadas desistem, se elas têm que nadar contra a corrente nas organizações onde elas trabalham. A verdade é que qualquer trabalho que envolve interação com outras pessoas é um trabalho moral. E qualquer trabalho moral depende de sabedora prática.

E, talvez mais importante, como professores, nós devemos nos esforçar para ser heróis comuns, exemplos morais para as pessoas das quais somos mentores. Bill Gates falou sobre a importância da educação e, em particular, do modelo que a KIPP esta nos dando, "Conhecimento é poder", pegando garotos de áreas desfavorecidas e direcioná-los para uma Universidade. Eles perceberam que a coisa mais importante que os garotos precisam aprender é caráter. Eles precisam aprender a respeitar a si próprios. Eles precisam aprender a respeitar os seus colegas de escola. Precisam aprender a respeitar seus professores. E mais importante que tudo, precisam aprender a respeitar o ato de aprender. Este é o principal objetivo. Se você faz isto, as outras coisas fluem com facilidade. E aos professores: a maneira como vocês ensinam estas coisas aos garotos é ter professores e membros da equipe encarnando isto a cada minuto de cada dia.

A virtude que eu acho que precisamos, acima de todas, é sabedoria prática, pois é a que permite que todas as outras virtudes - honestidade, gentileza, coragem - sejam mostradas no momento certo e da maneira certa. Eu acho que há razão para se ter esperança. Eu acho que as pessoas querem ser virtuosas.

De várias formas, esta é a razão principal da TED. Querer fazer as coisas que são certas, da maneira certa, pelas razões certas. Este tipo de sabedoria está ao alcance de cada um de nós, basta que comecemos a prestar atenção. Prestar atenção ao que fazemos, e como o fazemos, e, talvez mais importante, à estrutura das organizações para as quais trabalhamos, para ter certeza que elas nos auxiliam, e às outras pessoas, a desenvolver sabedoria, ao invés de suprimi-la.

Resumindo
- Uma pessoa sábia percebe quando e como abrir uma exceção a cada regra
- Uma pessoa sábia sabe como improvisar
- Uma pessoa sábia sabe como usar habilidades morais a serviço dos objetivos corretos, para servir outras pessoas e não para manipular
- Uma pessoa sábia é criada, não nasce pronta
- Não é necessário ser brilhante para ser sábio, mas sem sabedoria, brilhantismo não é suficiente
- Regras podem ser idiotas, mas elas te poupam do trabalho de pensar
- Regras e incentivos podem melhorar as coisas a curto prazo, mas acabam criando uma espiral descendente, que torna as coisas piores a longo prazo. A habilidade moral acaba sendo desgastada pela confiança excessiva em regras que nos privam da oportunidade de improvisar e aprender com nossas improvisações. E aí a vontade moral é minada por um apelo incessante a incentivos que destroem a nossa vontade de fazer as coisas corretamente
- O que regras asseguram, ao invés do desastre, é mediocridade
- A coisa mais importante que os garotos precisam aprender é caráter. Eles precisam aprender a respeitar a si próprios, os seus colegas de escola, seus professores. E mais importante que tudo, precisam aprender a respeitar o ato de aprender. Este é o principal objetivo.
- Fazer as coisas que são certas, da maneira certa, pelas razões certas e ter certeza que elas nos auxiliam, e às outras pessoas, a desenvolver sabedoria, ao invés de suprimi-la

domingo, 31 de maio de 2009

TED: Tony Robbins - Por que Fazemos o que Fazemos



Esse vídeo foi um dos melhores a que já assisti. Tony Robbins fala do que nos motiva e nos molda e das necessidades humanas. Resumo aqui algumas idéias e algumas palavras que achei muito interessantes da palestra que ele fez no TED.

Tony Robbins diz ser não o cara da motivação, mas o o cara do "Por quê" - o que o motiva a agir? O que move você hoje? Não há dez anos atrás. Você está fazendo a mesma coisa? Robbins acredita que a força invisível do impulso interior, ativada, é a coisa mais importante do mundo e que a emoção é a força da vida. Todos sabemos pensar e com nossas mentes conseguimos fazer qualquer coisa. Mas nem sempre aplicamos tudo aquilo que sabemos. Existe uma teoria que diz que agimos somente por interesse próprio. Você não segue o seu interesse todo o tempo. Porque quando a emoção aparece, as coisas mudam completamente.

É fundamental sabermos o que nos move e explorar onde estamos por duas razões:
  1. Para contribuir melhor
  2. Para não apenas compreender melhor as outras pessoas, mas talvez estimá-las mais, e criar os tipos de conexões que podem resolver os desafios que temos hoje na sociedade
Realização e Satisfação
Líderes eficazes possuem a habilidade para consistentemente movê-los e aos outros para a ação porque eles compreendem as "forças invisíveis" que nos moldam. Robbins estuda há muito tempo as respostas às perguntas "o que faz a diferença na qualidade de vida das pessoas?" e "o que faz a diferença no desempenho das pessoas?". Como produzir resultados agora, como fazer mudanças de forma rápida, o que define a capacidade das pessoas de contribuir, de fazer algo além de si mesmas? Olhando para a vida, Robbins diz que há 2 lições principais na vida:
  1. Ciência da realização (achievement) - como transformar um sonho em realidade, seja o que for - negócios, dinheiro, contribuição, corpo, família. Ciência é fácil. Uma vez conhecidas as regras, escreve-se o código, segue-o e consegue os resultados. Uma vez conhecido o jogo as respostas já são conhecidas.
  2. Arte da satisfação (fullfilment) - esta é raramente dominada. A razão é que ela tem a ver com apreciação e contribuição. Você só pode sentir tudo isso por si mesmo, não conseguie ir longe sozinho. Robbins busca responder a questão da pergunta real: Por que pessoas que têm todos os recursos, família, dinheiro, educação, acabam desperdiçando suas vidas em reabilitação e outras pessoas que passaram por muita dor e sofrimento - psicologicamente, sexualmente, espiritualmente, emocionalmente -, não sempre mas frequentemente, se tornam algumas das pessoas que mais contribuem com a sociedade.
Então, a questão que devemos nos perguntar é "o que nos molda?". A maioria da sociedade acredita que destinos já estão traçados. Mas o que devemos nos lembrar, e não só intelectualmente, porque podemos saber algo intelectualmente, saber o que fazer e então não usar, não aplicar, mas lembrar-nos que a decisão é o poder supremo. Todo mundo já fracassou uma vez ao tentar fazer alguma coisa. E quando apontam as causas do fracasso, o que todas as razões têm em comum? São uma reclamação por recursos que faltavam. Foi a falta de tempo, dinheiro, tecnologia, contatos, experiência, gerenciamento. Mas o fator decisivo nunca são os recursos, é a engenhosidade (resourcefulness). Criatividade, Determinação, Amor/Cuidado (Caring), Curiosidade, Paixão. Se você tem emoção, emoção humana, se comunicar com toda emoção provavelmente vencerá. Se temos a emoção certa, podemos realizar qualquer coisa, passar por tudo. Esta é o recurso supremo. Mas não é essa a história que nos contam.

Decisão
Se decisões moldam destinos, o que os determina são 3 decisões:
  1. No que eu vou focar? O foco é o sentimento. Agora mesmo, você precisa decidir no que vai focar. Neste segundo, consciente ou inconscientemente. No passado, no presente ou no futuro, para si ou para os outros. E, no minuto em que decide no que focar, deve dar algum significado a isso.
  2. O que isso (meu foco) significa? O seu significado produz emoção. Isso é o fim ou o começo, uma recompensa de Deus, uma punição ou o acaso? Uma emoção, então, cria o que nós vamos fazer, ou a ação.
  3. O que eu vou fazer? Vai desistir ou ir em frente?
Nos últimos 5, 10 ou 15 anos, quantas decisões você tomou que se fossem diferentes sua vida seria completamente diferente? Como seria se o Google decidisse vender a tecnologia ao invés de criar sua própria cultura? E alguém como Lance Armstrong que descobriu que tinha câncer no testículo? Mas qual foi sua decisão de no que focar? Diferente das outras pessoas. O que isso significou? O câncer foi o começo. O que você vai fazer? Seguir em frente. Lance Armstrong venceu sete campeonatos sem nunca ter ganhado um campeonato sequer antes do câncer, porque adquiriu fitness emocional, força psicológica. Essa é a diferença que Robbins viu nas 3 milhões de pessoas com quem já esteve.

O que Molda as Pessoas
Depois de conhecer tantas pessoas, os padrões ficaram evidentes. O que molda Lance, você? Duas forças invisíveis.
  1. Estado (No Momento). Todos nós tivemos vezes em que dizemos "não acredito que disse ou fiz aquilo!" ou em outras vezes queremos dizer "caham, esse era eu!". Não foi habilidade, foi seu estado, físico e emocional.
  2. Modelo do Mundo (Longo Prazo). O seu modelo de mundo é o que nos molda a longo prazo. É o filtro, o que faz as pessoas tomares decisões. O formador de significado, emoção e ação.
Quando queremos influenciar alguém, temos que saber o que já o influencia. E isso é feito de 3 partes, Robbins acredita.
  1. Qual o seu alvo? O que você busca? Não são os desejos, metas ou objetivos, mas as necessidades.
  2. Mapa. Uma vez que saiba qual o alvo que o move e você o descobre verdadeiramente - você não o forma, o descobre - então você descobrirá o seu mapa: quais os sistemas de crenças que dizem como você consegue satisfazer essas necessidades. Algumas acreditam que é destruindo o mundo, outras construindo algo, amando alguém.
  3. Combustível que você pega
As 6 Necessidades Humanas

1. Certeza.
Todos precisam de certezas para evitar dor e ao menos ficar confortável. Se você não tem certeza sobre sua saúde, filhos, dinheiro, você não pensa em nada. Se não houver certeza de que o teto não cairá, não haveria palestra. Mas, mesmo procurando certeza sempre, com certeza total - sabendo o que vai acontecer, como, quando - as coisas se tornariam um tédio total. Por isso Deus, em sua infinita sabedoria, nos deu a segunda necessidade.

2. Incerteza. Precisamos de variedade, de surpresa. Queremos as surpresas que queremos, mas as que não queremos nós chamamos de problemas. Mas precisamos de problemas.

3. Importância (Significado).
Crítica. Todos precisamos nos sentir importantes, especiais, únicos. As pessoas conseguem isso ganhando mais dinheiro, com tatoo, piercing, esprititualidade. De qualquer forma, a maneira mais rápida de se conseguir isso se você não tem passado, nem cultura, fé e recursos, ou engenhosidade, é por meio da violência. Se coloco uma arma na sua cabeça e moro no beco, na hora sou importante, tenho certeza de que você vai responder, tenho a incerteza - ninguém sabe o que vai acontecer -, a variedade. E tem significado. Então você vai querer arriscar a sua vida por isso. Por isso a violência sempre existiu, e vai continuar existindo a não ser que tenhamos uma mudança de consciência, como espécie. Você pode conseguir significado de diversas formas, mas para ser importante deve ser único e diferente.

4. Amor e Relacionamento
. Todos realmente precisamos e queremos isso. A maioria das pessoas busca relacionamento porque o amor assusta. Todos já se machucaram em uma relação íntima. E vão se machucar de novo. Mas é a verdade, precisamos disso. Podemos ter por intimidade, amizade, oração, andar na natureza ou com um cachorro.

Essas 4 necessidades todo ser humano encontra como satisfazer. São chamadas as necessidades da personalidade. Mas as últimas duas necessidades do espírito, e é delas que vem a satisfação. Você não consegue a satisfação rápido.

5. Desenvolvimento (Growing). Para conseguir satisfação você precisa evoluir. Se um relacionamento não está se desenvolvendo, se um negócio não está se desenvolvendo, se você não está se desenvolvendo, não importa quanto dinheiro você tenha, quantos amigos você tenha, quantas pessoas amam você, você se sente mal. E a razão para evoluir, Robbins acredita, é que precisamos ter algo para dar de valor.

6. Contribuir além de si mesmo. Todos sabemos, mesmo parecendo sentimental, que o segredo da vida é doar. A vida não é sobre "eu", é sobre "nós", é o que entusiasma. Quando as pessoas doam, elas têm um chamado, pode-se ver a mudança nela e isso pode tocar outras pessoas.

As Decisões de Robbins
Robbins conta como sua vida foi tocada: quando tinha 11 anos, no Dia de Ação de Graças, sua família nã tinha dinheiro nem comida. Seu pai estava sem rumo, sua mãe o ajudava a saber o quão ruim ele era e alguém veio à porta e entregou comida. Seu pai fez três decisões. Seu foco foi "Isto é caridade". O que isso significava? "Eu não valho nada". O que tenho que fazer? "Deixar minha família". Foi o que ele fez. Minhas três decisões me deram um caminho diferente. No que focar? "Há comida!". Segundo, - isto foi o que mudou minha vida, o que me moldou como ser humano - "É presente de alguém, e eu nem sei quem é". Meu pai sempre dizia "Ninguém se importa". E, de repente, alguém que eu não conheço, sem pedir nada, nos procura e entrega comida. Isto me fez acreditar - o que significa? "Estranhos se importam". O que me fez decidir que "se estranhos se importam comigo e com minha família, eu me importo com eles". O que vou fazer? "Vou fazer algo que faça a diferença". Minha meta por anos foi ter dinheiro suficiente para alimentar duas famílias. A coisa mais divertida que fiz na minha vida, a mais tocante. No ano seguintes conseguia alimentar quatro. Não contei a ninguém o que estava fazendo. No ano seguinte oito. Não estava fazendo para ganhar pontos, mas depois de oito eu pensei, caramba, eu poderia usar alguma ajuda. Então eu envolvi meus amigos e criei empresas e então consegui 11 empresas e construí uma fundação. Agora, 18 anos depois, no último ano alimentamos 2 milhões de pessoas em 35 países pela fundação, tudo durante os feriados de Dia de Ação de Graças e Natal.

Eu não lhe digo isso para me vangloriar, digo isso porque tenho orgulho dos seres humanos, porque eles se motivam a contribuir uma vez que tenham a chance de experimentar isso, não conversar sobre isso.

Todos temos as mesmas necessidades, mas o sistema que está no topo o desloca para uma direção diferente. Você valoriza mais a certeza ou a incerteza? E conforme você se move em uma direção, você tem um destino. A segunda peça é o mapa. Ele é o sistema operacional que diz como chegar lá. Algumas pessoas têm um mapa que diz "vou salvar vidas mesmos que eu morra por outras pessoas", e se tornam bombeiros. Outras têm um mapa que diz "vou matar pessoas para fazê-lo", e se tornam soldados. Eles estão tentanto encontrar as mesmas necessidades de importância, tentam honrar a Deus ou a sua família, mas possuem um mapa diferente. Há sete crenças diferentes. (veja As 7 Crenças do Sucesso) Se você tem um alvo e um mapa, imagine que suas crenças garantirem que você nunca chegará aonde você quer? A última peça é a emoção. Há 6.000 palavras na língua inglesa para representar emoções. Mas se eu pedisse para 20.000 pessoas escreverem todoas as emoções que tiveram em uma semana normal, dando todo o tempo que precisassem, as pessoas experimentariam menos de 12 emoções. E metade delas as fazem se sentir mal.

Em um seminário no Havaí, disse na parte do treinamento denominada "Emotion Mastering": "Quando as pessoas começam a viver? Quando encaram a morte". E então perguntei "se vocês estivessem para sair dessa ilha, se em nove dias vocês fossem morrer, para quem iriam ligar, o que iriam dizer, o que iriam fazer?". Naquela noite, quando aconteceu o 11 de setembro, uma mulher, cujo namorado anterior havia sido sequestrado e assassinado, tinha sido pedida em casamento pelo novo namorado e tinha dito não. Ele disse "se você sair agora e for para o Havaí, acabou". Ela disse "acabou". Quando eu terminei naquela noite, ela ligou para ele e deixou uma mensagem no topo do World Trade Center, onde ele trabalhava, dizendo "Amor, eu te amo, eu só quero que você saiba que quero me casar com você. Eu fui uma estúpida". Ela estava dormindo, porque eram 3 da madrugada, quando ele ligou de volta do topo e disse "amor, eu não posso dizer o que isso significa", ele disse "eu não sei como dizer isso, mas você me deu o maior presente, porque eu vou morrer". E ela tocou a gravação para nós na sala. Ela esteve no programa do Larry King depois e ele disse "você provavelmente está pensando como isso pode acontecer duas vezes. Tudo que eu posso lhe dizer é que esta deve ser a mensagem de Deus para você. De agora em diante, todo dia, dê tudo de si, ame ao máximo. Não deixe nunca nada parar você".

Ela termina e um homem se levanta e diz "Eu sou do Paquistão, sou muçulmano. Eu adoraria apertar a sua mão e dizer sinto muito mas, francamente, isso é retribuição". Eu trouxe este homem ao palco com um homem de Nova Iorque e disse às pessoas: "No que vamos focar? O que isto significa e o que vamos fazer?". Pegue o grupo e fiz as pessoas focarem "se você não perdeu ninguém hoje, seu foco vai ser como servir outra pessoa". Peguei este homem e fiz o que chamam uma negociação indireta. Um judeu com a família em território ocupado, que morava em Nova Iorque e teria morrido se estivesse no trabalho e este homem que queria ser terrorista. A integração que aconteceu está em um filme. Mas os dois não só se uniram e mudaram suas crenças sobre o mundo mas trabalharam juntos para trazer por várias mesquitas e sinagogas a idéia de como criar paz. E ele escreveu um livro, chamada "My Jihad, My Way of Peace". Então, a transformação pode acontecer.

Meu convite a você é esse: Explore sua rede, a rede na sua mente. As necessidades, as crenças, as emoções que estão controlando você. Para duas razões: para que haja mais de você para doar, e conseguir também, todos nós queremos isso, mas eu digo doar, porque isso é o que vai preencher sua vida. E, segundo, para que você possa apreciar, não só compreender, isso é intelectual, é a mente, mas apreciar o que move as outras pessoas. É o único modo de nosso mundo mudar.

sábado, 9 de maio de 2009

As Perguntas Certas

Quando alguém lhe informa de algum problema e lhe pergunta por uma solução, o que você deveria fazer? Se o seu instinto é sugerir uma solução, pense de novo, diz Judith Ross no post "Real Leaders Ask" no blog da Harvard Business (http://blogs.harvardbusiness.org/hmu/2009/05/real-leaders-ask.php).

Embora dar respostas e sugestões aos companheiros de trabalho seja frequentemente a forma mais eficiente de ter as coisas feitas, o ganho a curto prazo é muito menor comparado aos custos de longo prazo. Fazendo isso, você impede o desenvolvimento dos colegas, se impede de ter acesso a idéias potencialmente novas e poderosas e coloca uma sobrecarga sobre seus ombros. Quando alguém lhe apresentar um problema, aja de uma forma que agrega muito mais valor mútuo: faça as perguntas certas, ajude a pessoa a encontrar a melhor solução por si mesma.

Perguntas que começam com "Por que", "Como" ou "O que você pensa sobre..." fazem com que os subordinados descubram suas próprias soluções, aumentando sua competência, confiança e responsabilidade pelos resultados. Isto é empowerment, imbuir (impregnar, entregar) alguém com poder, para manifestar no indivíduo o sentido de sua própria força e eficácia. Quando o chefe pergunta pelas idéias do subordinado, envia a eles a mensagem de que eles são bons e, mais do que isso, o indivíduo ganha confiança e se torna mais compoetente. Encoraja o desenvolvimento de uma pessoa como pensador e resolvedor de problemas, dando as ferramentas para tratar questões futuras semelhantes de forma independente. As perguntas erradas, no entanto, quebram a confiança de uma pessoa e sabota seu desempenho, diz Michael J. Marquardt.

As perguntas mais eficazes criam valor em alguma dessas maneiras:
  1. Criam clareza: "Você pode me explicar mais sobre essa situação?"
  2. Constroem relações de trabalho melhores: ao invés de "Você cumpriu suas metas de venda?", pergunte "Como suas vendas têm ido?"
  3. Ajudam as pessoas a pensarem de forma analítica e crítica: "Quais são as consequências de você seguir por esse caminho?"
  4. Inspiram pessoas a refletirem e enxergarem de forma nova, não prevista: "Por que fez esse trabalho?"
  5. Encorajam o pensamento breakthrough (inovador, revolucionário): "Isso pode ser feito de outra maneira?"
  6. Desafiam pressupostos: "O que você acha que vai perder se começar a compartilhar a responsabilidade pelo processo de implementação?"
  7. Criam propriedade de soluções: "Baseado na sua experiência, o que você sugere que façamos aqui?"
Para estimular uma cultura em que as perguntas são amplamente usadas para criar valor, começa deixando as pessoas saberem que você valoriza suas perguntas. Diga a elas que tragam suas melhores questões na avaliação de desempenho. Conduzir reuniões de equipe com perguntas também elimina ambiguidade e cria alinhamento em torno dos assuntos. Quando um assunto é abordado, muitas vezes assume-se que as pessoas entendem o mesmo da mesma forma, o que não é verdade. Sem consendo no problema, não se pode definir estratégias para tratá-lo. Fazendo perguntas como "O que você acha que esse assunto é?" permite que os integrantes da equipe compreendam as perspectivas um do outro e concordem no que eles estão tratando.

O que não perguntar
Há também, as perguntas que não devem ser feitas por terem efeito negativo nos subordinados. Perguntas focadas em por que uma pessoa não fez algo força-a a uma postura defensiva ou reativa e tiram-lhe o poder. Eliminam oportunidades e não permitem que as pessoas esclareçam contrapontos ou atinjam objetivos. Estas questões incluem:

  • Por que você está atrasado no cronograma?
  • Qual o problema com esse projeto?
  • Quem não está dando conta?
  • Você não sabe nada melhor que isso?
Perguntas de comando buscam uma resposta específica, é negativa ou exerce pressão social para forçar um acordo. Além disso, inibem respostas sinceras e uma discussão honesta:
  • Você quis fazer sozinho, não quis?
  • Você não concorda que John é o problema aqui?
  • Todos os outros da equipe acham que John é problema. E você?
Conforme você se empenha em liderar por perguntar em vez de dizer, lembre-se que os líderes são somente tão bem sucedidos quanto as pessoas que se reportam a ele. Fazendo as perguntas certas, você pode ajuá-los a desenvolver suas habilidades em solucionar problemas, sua criatividade e sua desenvoltura. Isto vai fortacelê-los e fazer com que eles ajudem melhor você e toda sua unidade frente a novos desafios.

Link: http://blogs.harvardbusiness.org/hmu/2009/05/real-leaders-ask.php

quarta-feira, 6 de maio de 2009

MBA vs Empreendedor

O Nilson mandou um link muito legal do blogs.harvardbusiness.org, com Bill Taylor falando sobre quem tem as coisas certas para tempos incertos ("MBA vs. Entrepeneurs: Who Has the Right Stuff for Tough Times?").

Taylor diz que a pesquisa da Professora Saras Sarasvathy, que leciona Empreendedorismo na Universidade de Virgínia, tem muitas respostas para o tema e trabalha em torno de uma grande questão: O que torna os empreendedores empreendedores? Existe o pensamento empreendedor e ele é diferente de forma relevante em comparação com o pensamento MBA sobre problemas e aproveitar oportunidades? A resposta de Sarasvathy é um enfático sim.

Raciocínio Causal/Efetual
Sarasvathy explica que o raciocínio causal, usado pelos MBAs, começa com um objetivo pré-determinado e um dado conjunto de meios, e busca identificar a alternativa ótima - mais rápida, mais barata, mais eficiente, etc. - para atingir o objetivo. Este é o mundo de planos de negócios exaustivos e ROIs microscópicos. O raciocínio efetual, usado pelos empreendedores, não começa com um objetivo específico. Ao invés disso, começa com um dado conjunto de meios e permite que os objetivos surjam de forma contingente ao longo do tempo a partir da imaginação variada e aspirações diversas dos fundadores e das pessoas com quem eles interagem. Este é o mundo do bootstrapping (começar um negócio sem ajuda externa ou capital - wikipedia), dos protótipos rápidos e do marketing de guerrilha.

Raciocínio causal é sobre quando você espera ganhar; efetual é sobre quanto você suporta perder. Causal gira em torno de análises competitivas e lógica soma-zero; efetual engloba redes e parcerias. Causal incita a exploração de conhecimento pré-existente; efetual acentua a inevitabilidade de surpresas e alavancagem de opções.

A diferença na mente se resume a uma diferente forma de levar o futuro. Causal é baseado na lógica "na medida em que podemos prever o futuro, podemos controlá-lo". Por isso MBAs e grandes empresas gastam tempo com modelos estatísticos e pesquisa de mercado. O efetual, no entanto, é baseado na lógica "na medida em que podemos controlar o futuro, não precisamos prevê-lo". Como controlar o futuro? Inventando-o por si mesmo - mobilizando recursos escassos, entendendo que que surpresas são para serem esperadas em vez de evitadas, reagindo rapidamente a elas.

Por fim, empreendedores começam com três conjuntos simples de recursos: "Quem são eles" - seus valores, habilidades a gostos; "O que eles sabem" - sua educação, expertise e experiência; e "Quem eles conhecem" - seus amigos, aliados e redes. Com isso, os empreendedores começam a imaginar e implementar efeitos possíveis que podem ser criados com eles. Planos são feitos e desfeitos e revisados e reformulados através da ações e interação com os outros diariamente.

Segundo Taylor, empreendedores têm o necessário para os tempos difíceis.

Resumindo:
Pensamento Causal - MBAs
  1. Começa com objetivo e tenta identificar o meio ótimo para atingi-lo
  2. Quanto espera ganhar
  3. Análises competitivas e lógica soma-zero
  4. Exploração de conhecimento pré-existente
  5. "Na medida em que podemos prever o futuro, podemos controlá-lo"
Pensamento Efetual - Empreendedores
  1. Começa com um conjunto de meios e permite que objetivos surjam com o tempo a partir de imaginação e aspirações
  2. Quanto suporta perder
  3. Redes e parcerias
  4. Inevitabilidade de surpresas e alavancagem de opções
  5. "Na medida em que podemos controlar o futuro, não precisamos prevê-lo"
  6. "Quem sou eu" - valores, habilidades e gostos
  7. "O que sei" - educação, expertise e experiência
  8. "Quem eu conheço" - amigos, aliados e redes

Link: http://blogs.harvardbusiness.org/taylor/2009/05/mbas_vs_entrepreneurs_who_has.html

Modelo de Negócios

O pessoal fala bastante sobre modelo de negócios. No blog do Seth, http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2009/05/thinking-about-business-models.html, estão os 4 elementos de um modelo de negócios:
  1. Que razão obrigatória existe para as pessoas lhe darem dinheiro? (ou votos ou doações)
  2. Como você compra o que você está vendendo por menos do que custa para vendê-lo?
  3. Que isolação estrutural você tem de uma implacável comoditização e uma guerra de preços?
  4. Como desconhecidos descobrirão sobre o negócio e decidir tornarem-se clientes?
Bem resumido. Mais informações no link.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Palestra do Sr Atushi Yoshii na UEL


Assistimos ontem na UEL uma palestra realizada em parceria com o SEBRAE e o Conjove da ACIL com o Sr. Atsushi Yoshii, da construtora A. Yoshii, contando de forma bastante informal os princípios e a trajetória que o levaram constuir uma das 10 maiores construtoras do Brasil.

Dirigindo-se ao público jovem presente, o Sr. Atsushi Yoshii disse que os jovens têm que ter ambição e saber administrar o tempo, dando dicas como ter papel e caneta em todo lugar para fazer anotações, programar o dia, saber definir prioridades e executá-las, concluir o programado, controlar o tempo e ser eficaz, tendo ritmo. Segundo ele, administrar bem o tempo é usar o tempo que tem para fazer o que quer.

A pirâmide no início do post motra as virtudes sobre as quais o Sr. Atsushi Yoshii comentou. Na base estão a ética, a moral e a honestidade. Logo acima a questão da qualidade e da criatividade, em todas as áreas, seja profissional, no jeito de falar, no modo como tratamos as pessoas ou no que produzimos. Acima estão a competitividade e o conhecimento, que deve ser buscado continuamente. Acima está a pontualidade como fator fundamental para a confiança, que no Japão é extremamente valorizada. Acima, no penúltimo nível, está o comprometimento, a virtude de cumprir as obrigações, como contratos. Até este nível, está tudo aquilo que está ao nosso alcance. O último nível é a virtude da CREDIBILIDADE, que não cabe ao nós produzirmos, mas sim às pessoas que nos avaliam. No exemplo do Sr. Yoshii, quando procuramos um produto ou serviço perguntamos "onde tem um bom restaurante?", ou "onde tem um bom cabeleireiro?". A resposta a essas perguntas é baseada na credibilidade.

Além disso, segundo ele, todos somos vendedores - seja de produto ou de imagem. Seguindo o princípio básico da valorização do ser humano, devemos tratar bem clientes e parceiros, com calor humano e proximidade, algo simples de se fazer mas que tem um peso muito grande. Nessa mesma linha, um ponto fundamental apresentado foi o relacionamento. Devemos nos cerca de pessoas boas, bons companheiros, pessoas com a mesma cultura e pessoas que tenham algo a acrescentar. Ainda, devemos nos afastar de pessoas que só absorvem e manter relações de troca com as pessoas, não só receber. Bons profissionais que não possuem bom relacionamento podem perder muitas oportunidades.

No início da trajetória da empresa, o Sr. Yoshii foi muito "cara de pau" e persistente, esperando às vezes horas para ser atendido. Cada oportunidade era tratada com o máximo de comprometimento e, quando conseguiam um contrato, "trabalhavam como loucos". O Sr. Yoshii diz para sempre fazermos um pouquinho mais do que os outros - 5%, 10% - pois clientes compram confiança. Segundo o professor Hoffman da UEL, o Sr. Yoshii sempre foi brilhante por encontrar grandes soluções naquilo que é óbvio.

Perguntei ao Sr. Yoshii quais foram as 3 decisões mais importantes em sua vida. Ele respondeu de forma sincera e bastante simples: a primeira foi quando decidiu que queria ter credibilidade, ao vender sua imagem. A segunda foi quando decidiu valorizar e investir nas pessoas. E a terceira foi decidir em ser sempre eficiente, gerar lucro, mas sabendo que o dinheiro não é o mais importante.

Por fim, o Sr. Yoshii encerrou sua palestra com uma frase sobre a juventude, usada pelo general Mac Arthur, um dos maiores generais do século XX:

"A juventude não é um período da vida; ela é um estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade da imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobre o amor ao conforto.

Não é por termos vivido um certo número de anos que envelhecemos; envelhecemos porque abandonamos o nosso ideal. Os anos enrugam o rosto; renunciar ao ideal enruga a alma. As preocupações, as dúvidas, os temores e os desesperos são os inimigos que lentamente nos inclinam para a terra e nos tornam pó antes da morte. Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: E depois? Que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida.

És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a tua confiança em ti e a tua esperança. Tão velho quanto o teu desânimo.

Serás jovem enquanto te conservares receptivo ao que é belo, bom e elevado. Receptivo às mensagens da natureza, do homem, do infinito. E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus, então, se compadeça de tua alma de velho."

General Mac Arthur - 1945